Friday, August 10, 2007

REGRESSO MARCADO PARA SETEMBRO

O ocupante vai estar longe dos fios e dos monitores, bem precisa.

Para os que podem, vejam Ornette Coleman na Gulbenkian que eu também não - só fiz o aquecimento com o delicioso documentário sobre o músico, Made in America de Shirley Clarke (uma homenagem provocadora e desalinhada à sua música), que ontem vi na Sala Polivalente da Gulbenkian.

Ou então encaminhem-se para Paredes de Coura que eu também não (também não posso).

Saúde! Vão aparecendo.

E agora, um cheirinho de Mr. Coleman…

alt : http://www.youtube.com/v/EHTdc36627k  

Posted by Gonçalo Palma at 15:56:59 | Permalink | Comments (1) »

Tuesday, July 3, 2007

GRANDES FESTIVAIS: NOTAS PRELIMINARES

                                                                                                O descanso de Verão tem duas concepções filosóficas, ambas legítimas: o do turista e o do viajante. O primeiro prefere a segurança de hábitos rotineiros (se for para a praia) ou de um pacote em que sabe de antemão o que vai fazer exactamente em cada dia (se for em excursão). O segundo dá prioridade à aventura e à surpresa, estando aberto a tudo, incluindo às contingências. O turista, quando parte, já tem as folhas do diário quase todas escritas; no momento de embarque, as folhas do diário do viajante estão quase todas por escrever.

O festival Rock in Rio Lisboa tem um perfil turístico e cumpre-o muito bem. O programa é uma confortável repetição do itinerário da edição anterior para agrado de toda a família.

Os 3 grandes festivais deste Verão (se excluirmos o Oeiras Alive! e o incluirmos na estação pertencente) estão rendidos ao conceito de viajante - que a minha disposição meramente pessoal saúda. Os seus cartazes estão à altura de um público ávido pela descoberta, sempre disponível e atento à novidade, e bem preparado para os altos e baixos que vierem do palco. Ainda que o programa de Paredes de Coura esteja incompleto, estamos diante de três cartazes bastante dignos.

Festival SBSR (Parque Tejo, Lisboa)

03 de Julho

00h00-01h30: Arcade Fire

22h25- 23h40: Bloc Party

21h05-22h05: Magic Numbers

19h45-20h45: Klaxons

18h35-19h25: The Gift

17h30-18h15: Bunnyranch

17h00-17h15: Banda Pre-Load

04 de Julho

00h20-01h35: LCD Soundsystem

22h45-00h00: The Jesus & Mary Chain

21h25-22h25: Maximo Park

20h05- 21h05: The Rapture

18h45-19h45: Clap Your Hands Say Yeah

17h45-18h25: Linda Martini

17h00-17h30: Mundo Cão

05 de Julho

00h45-00h02: Underworld

23h05-00h25: Interpol

21h20-22h35: Scissor Sisters

20h10-21h00: Tv On The Radio

19h05-19h50: The Gossip

18h10-18h50: X-Wife

17h35-17h55: Micro Audio Waves

17h00-17h20: Anselmo Ralph

Festival Sudoeste

2 de Agosto

PALCO TMN

Damian Marley

Editors

Gilberto Gil

Mayra Andrade

I’m from Barcelona

Cassius (After-Hours)

TENDA PLANETA SUDOESTE

Rui Vargas

The Noissetes

Camera Obscura

Ojos de Brujo

3 de Agosto

PALCO TMN

Cypress Hill

The Cinematics

Just Jack

Outlandish

Armandinho

Buraka Som Sistema (After-Hours)

TENDA PLANETA SUDOESTE

Mary Ann Hobbs

Bonde do Rolé

Data Rock

Balla

Os Lambas

Nastio

POSITIVE VIBES

General Levy + Robbo Ranx

Steel Pulse

Soldiers of Jah Army

Manif3stos

4 de Agosto

PALCO TMN

Groove Armada

The Streets

Sam The Kid

Sérgio Godinho

Air Traffic

Australian Pink Floyd (After-Hours)

TENDA PLANETA SUDOESTE

Koop

Patrick Wolf

Sondre Lerche

Sonic Junior

Vanessa da Mata

Tiago Bettencourt

Eta Carinae

POSITIVE VIBES

Sounds Portuguese

Saian Supa Crew

Martin Jondo

Stepacide

5 DE AGOSTO

PALCO TMN

James

Mika

Phoenix

Razorlight

Babylon Circus

TENDA PLANETA SUDOESTE

The National

Of Montreal

Trail Of Dead

Tara Perdida

2008

Rui Vargas

Stereo Addiction

POSITIVE VIBES

Pow Pow Movement

Tiken Jah Fakoly

Yellowman

Alioune K

Festival de Paredes de Coura (os nomes até hoje confirmados)

Dia 12

Devotchka

Dia 13

Mando Diao

Sparta

Blasted Mechanism

Dia 14

Dinosaur Jr.

New York Dolls

Mão Morta

Architecture In Helsinki

Gogol Bordello

Spoon

Dia 15

Sonic Youth

Cansei de Ser Sexy

Sunshine Underground

Electrelane

Nas fotos, de cima para baixo: TV on the Radio, Camera Obscura e Electrelane.

Posted by Gonçalo Palma at 16:24:47 | Permalink | No Comments »

Monday, July 2, 2007

NO LOCAL CERTO, NO MOMENTO CERTO #10: FESTIVAL PAREDES DE COURA DE 2005

                                                                                                 Para mim, o melhor festival português de sempre da era regular pós-1995 correspondeu à edição de 2005 de Paredes de Coura - ainda melhor que o Sudoeste de 1998 (Portihead, PJ Harvey, Sonic Youth, Yo La Tengo, e outros). O programa do festival era invejável, mesmo para os cartazes dos eventos similares estrangeiros daquele ano. alt : http://www.youtube.com/v/viEKLS1lCtE

O movimento de gentes era saudável. Nunca, num festival português, me havia cruzado com tantos estrangeiros (sobretudo espanhóis), nem nunca havia sentido tanto frenesim das pessoas em descobrir bandas novas. À semelhança do que constatava lá fora, em Paredes de Coura a música esteve primeiro, e a razão da peregrinação da maior parte daqueles festivaleiros dependeu do conteúdo musical do evento e não de um gozo meramente lúdico. Havia felicidade no ar, alimentada e regenerada pelos sons que saíam do palco e que obrigavam a uma descida naquele anfiteatro natural bem maior do que o inicialmente calculado - e foram várias as vezes que acabei colado ao palco.

alt : http://www.youtube.com/v/8HAwHd9HS4M

Cheguei ouvindo elogios convictos sobre a actuação do duo Death From Above 1979. Os !!! não me deram tempo para ficar triste quanto à perdida anterior, absolutamente intrigado que estava a ficar com aquela fusão nos mesmos acordes do som cortante e matemático da Factory com a animação “disco” de um clube nova-iorquino dos anos 70. O nível de motim manteve-se com os Kaiser Chiefs, meninos foliões da pop britânica com queda para óptimos refrões e criação de hits, e nem o tropeção que pôs a coxear o saltitante vocalista Ricky Wilson, qual Damon Albarn dos velhos tempos, quebrou o humor e o embalo daquele entusiasmado set. A actuação mais maquinal dos Bravery reduziu o nível de empatia registado até então entre palco e audiência, mas não baixou o profissionalismo, rigoroso, do grupo nova-iorquino, que não deixou passar nada do melhor da pop britânica dos anos 70/80 que figura na árvore genealógica dos Kraftwerk (Gary Numan, Human League, Depeche Mode). Quando a música se reduziu à mera vertente física, com os Foo Fighters, uma das cabeças que já não lá estava era a minha.

Dia seguinte. Os mais que convincentes Futureheads faziam um itinerário interessante que apanhava, entre várias direcções, os Clash, os Jam ou Billy Bragg. Depois, seguiu-se o eclipse total com os Arcade Fire, que foram mestres de uma missa extravagante, que combinou espiritualidade com alegria. Não pareciam autores de um disco com o título de Funeral. Se alguém reclamou aquele como o álbum da década, teve seguramente razão por um dia, aquele em que os Arcade Fire tocaram em Paredes de Coura. Não tive pulmão (nem barriga cheia) para acompanhar os Roots como devia. O concerto eficiente e duro, mas pouco flexível e frio, dos Queens of the Stone Age foi outra hora boa para recarregamento de baterias. E quando os Pixies quarentões andaram pelo palco, estive à altura das exigências. E eles também, que foram conduzindo muito bem um alinhamento acústico em subida eléctrica gradual até à catarse. A belíssima história deu uma ajuda.

Último dia. Os National começaram a alterar as emoções do menos fresco público com uma reflexão madura do som joydivisiano. David Eugene Edwards, enquanto líder dos Woven Hand, foi brutal nas suas preces fanáticas ao além, parecendo o saldo do pesadelo de uma banda gótica como os Mission num cenário western spaguetti. Com os seus Licks, actriz Juliette Lewis interpretou muito bem o papel de Iggy Pop, e ainda experimentou o stage diving. O actor Vincent Gallo não fez nada bem o seu papel de músico - o concerto parecia um pedido de desculpas muito simpático quanto à falta de vocação para estar num festival daqueles. E Nick Cave & The Bad Seeds encerraram o festival com um concerto de arromba, no qual o cantor australiano exibiu o seu excelente coro gospel e fracturou mais umas quantas almas com uma performance demolidora e carismática que expressou uma saúde invulgar que fez esquecer o abandono recente de Blixa Bargeld. Inesquecível.

alt : http://www.youtube.com/v/kec42OJ28OU

De cima para baixo: Nick Cave, !!!, Kaiser Chiefs (momento em que Ricky Wilson torce o pé), Pixies, Woven Hand e Arcade Fire (as duas últimas músicas do concerto).

Posted by Gonçalo Palma at 04:39:46 | Permalink | Comments (3)