Thursday, December 13, 2007

IKE TURNER: 1931-2007

                                                                                                                         Uma grande perda. Morreu ontem.
Com a sua ex-mulher Tina, formou os inesquecíveis Ike & Tina Turner. God bless you.

alt : http://www.youtube.com/v/ilpVhUu27KM&rel=1

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Monday, September 3, 2007

MAIS TRÊS MISSIONÁRIOS DESAPARECIDOS

Tony Wilson, Max Roach e Hilly Krystal. Em local fora do alcance dos hábitos digitais, recebi as três más novas.

Sobre Tony Wilson…

Lembro-me de um dos muitos sublimes filmes de Rosselini, Europa 51′, em que Ingrid Bergman interpreta uma mulher privilegiada de posses que, despertada pela morte do filho, resolve ajudar os que precisam. Tomaram-na como louca e asilaram-na entre quatro paredes.

Mas Tony Wilson esteve na cidade certa, Manchester. Deixaram-no à solta a ajudar naquilo sabia, a música. A libertinagem, a Factory, lá foi prosseguindo, de feito em feito - Joy Division, New Order, A Certain Ratio, Happy Mondays, o Haçienda - sempre junto à ravina, para excitação de todos (incluindo do patrono Wilson). A desengonçada máquina ia provocando danos com tudo o que se cruzasse: história da música, a carteira do principal envolvido… O último desequilíbrio ditou o fim da aventura.

Em Manchester, àquela obstinação tão desinteressada dá-se outro nome: generosidade. Nessas coisas não se enganam. Pela publicação de Closer (Joy Division), de «Blue Monday» (New Order), To Each… (A Certain Ratio), Bummed (Happy Mondays), entre outras glórias para sempre eternizadas, obrigado.

                                                                                Sobre Max Roach…

Tinha-o como o maior baterista vivo. Tenho-o, apesar da recente dislexia com a ausência física que a música trata como um pormenor. Pelo menos, o disco que estava à mão do leitor de CDs do carro (Birth and Rebirth, 1978, com o saxofonista Anthony Braxton) continuou a soar muito bem, com a bateria de Roach sobranceira a refilar como sempre contra as orgânicas convencionais. Afinal, a bateria estava à frente.

                                                                   Sobre Hilly Krystal…

Várias palavras. Ramomes, Patti Smith, Television, Talking Heads, New York Dolls, Blondie, Suicide, Sonic Youth, Lester Bangs (a tirar notas), Paul Simon (vigiando o novo som da sua Nova Iorque). À conta da boa vontade de Hilly Krystal, o dono bonacheirão do clube nova-iorquino CBGB’s, explodiam por lá e em cheio o punk, o new-wave e o no-wave, antes sempre do resto do mundo saber. Aqueles metros quadrados pareciam dinamitados.

A ler: o livro de fotografia CBGB and OMFUG: Thirty Years from the Home of Underground Rock.

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Monday, August 6, 2007

ADEUS LEE

                                                                                    Lee Hazlewood morreu (vítima de cancro). Não foi propriamente um Bergman ou um Antonioni da música pop, mas a América não deixa de perder uma das suas lendas.

É verdade que o misticismo da sua figura foi mais interessante que a sua recomendável obra discográfica. Mas Lee Hazlewood, descendente bastardo do country, não era alguém que tivesse a preocupação calculista de gerir uma carreira. Foi militar na Guerra da Coreia, refugiou-se na Suécia quando a América o esqueceu, esteve anos e anos sem gravar: foi aceitando o que o destino lhe ditava. Serviu na sombra canções para a ribalta de outros - Nancy Sinatra deve o seu apogeu à composição de Hazlewood «These Boots Were Made for Walking» -, foi radialista, produtor, compositor e intérprete de edição irregular. Teve as suas infortunas e as suas travessias de deserto, mas quando se relembraram dele a valer, tinha já mais de setenta de idade, Hazlewood não foi ingrato e deu ao mundo pérolas que recomendo como o álbum For Every Solution There’s a Problem (2002). Quando lhe diagnosticaram um cancro em estado terminal, não hesitou e partiu para estúdio para gravar o seu álbum de despedida, Cake or Death (2006).

O fabrico cessou mas as canções que lhe conhecemos já estão a salvo.

Em baixo, «Summer Wine» interpretado por Lee Hazlewood e Siw Malmkvist para um programa de televisão sueco.

alt : http://www.youtube.com/v/o6cRhDWocPQ  

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Tuesday, July 31, 2007

MICHELANGELO ANTONIONI, A NUVEM DE ONTEM TAMBÉM O LEVOU

A nuvem de ontem levou outro monstro da sétima arte, o italiano Michelangelo Antonioni. O seu último filme de corpo inteiro (feito com o amparo de Wim Wenders) é o lindíssimo Para Lá das Nuvens (1995). É para lá das nuvens que se encontra neste preciso momento o cineasta italiano, que terá seguramente muito para discutir com o seu colega Bergman que o aguardou pacientemente horas a fio.

Ao contrário de Ingmar Bergman, que pôs em prática na grande tela os ensinamentos da performance teatral, Antonioni é um produto mais puro, e em bruto, do cinema. Como outros, aprendi com os filmes dele a ter uma visão cinéfila mais desapegada da estrutura narrativa. As obras de excelência do seu cinema contemplativo são muitas, das quais destaco O Grito (1957), A Aventura (1960), O Eclipse (1962), Deserto Vermelho (1964), o britânico Blow Up (1967) e Profissão: Repórter (1975).

Em baixo, um trailer do filme O Eclipse. alt : http://www.youtube.com/v/6ergGP0OI8E

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Monday, July 30, 2007

INGMAR BERGMAN: A CÂMARA DE FILMAR DESLIGOU-SE

                                                                                         A partir de hoje, Ingmar Bergman deixou de poder gritar acção. A partir de hoje, já não teremos a secreta esperança de o ver a interromper o exílio na sua ilha de estimação para voltar a filmar. Quando quebrou a promessa de não voltar a realizar uma longa-metragem após Fanny e Alexander (1982), fê-lo de forma bela e arrojada em Saraband, epílogo de Cenas Conjugais (série televisiva dos anos 70 e também, por adaptação, filme de cinema), e por isso não importou. Antes pelo contrário.

Transportou para o cinema a sua experiência de encenador de teatro e foi Mestre nos dramas das relações humanas. Foi talvez o primeiro cineasta moderno e somou obras brutais ao longo das décadas de 40, 50, 60, 70, 80 e mesmo nesta.

Ingmar Bergman foi o maior dos maiores do cinema.

Recomenda-se a leitura da sua auto-biografia, A Lanterna Mágica. Recomenda-se ainda mais os seus filmes.

Em baixo, imagens de Persona (1966), uma das suas maiores longas-metragens.

alt : http://www.youtube.com/v/RLR5_xeqOqM

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