Tuesday, May 13, 2008

AS MELHORES OBRAS DE SEMPRE EM DVD

Lista em contagem decrescente, inspirada num trabalho de selecção dos 50 melhores DVDs de música para votação que decorreu no Cotonete.

88º Curtis Mayfield - Live at Ronnie Scott’s

Registo filmado do concerto de Mayfield em 1988.

alt : http://www.youtube.com/v/iXwdjF0qvkM&hl=en

87º Nick Cave & The Bad Seeds - The Videos

Compilação da videografia de Nick Cave & The Bad Seeds de 1984 a 1997.

alt : http://www.youtube.com/v/z7lCG1hGLAk&hl=en PS - Lista pessoal elaborada no dia 20 de Abril de 2008, que inclui DVDs não formatados para a Região Europeia e exclui obras de ficção (exemplos: ‘biopics’ ou musicais).

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Tuesday, April 22, 2008

NICK CAVE EM SALA PARA FUMADORES

                                                                     A ferrugem típica de um arranque de digressão impôs a contra-regra aos Bad Seeds de tocarem as suas músicas num estado inferior ao da eternidade imutável da gravação de estúdio - sabemos há muito que costuma ser o contrário, que o palco é um espaço de superação para Nick Cave e seus acólitos.

Mas nem isso impediu que a noite do Coliseu dos Recreios, em Lisboa, fosse de contentamento geral, graças a uma dose generosa de canções, em quase duas horas e meia de uma actuação muito arranhada e pouco teclada. A falar português ou cantar e tocar, Nick Cave esforçou-se. Valeu a pena.

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Sunday, April 20, 2008

EXCITAÇÕES RECENTES

                                                                     Nick Cave & The Bad Seeds, Dig!!! Lazarus Dig!!! (Mute, 2008)

Agora que o homem e o seu gangue vêm aí, relembre-se a obra que o traz: mais uma prova de forma do período pós-Blixa Bargeld (2004- ), mesmo que a menos eloquente de todas.

Pode ler artigo desenvolvido no site Cotonete, publicado no dia 4 de Março.

alt : http://www.youtube.com/v/4k2Hf6Vc2FE&hl=en

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Thursday, January 17, 2008

NICK CAVE: BOM PRENÚNCIO

                                                                                       Eis a primeira amostra de Dig, Lazarus, Dig!!!: o vídeo oficial do tema-título do próximo álbum de Nick Cave & The Bad Seeds (que sai a 3 de Março). Promete.

alt : http://www.youtube.com/v/7kV5XkBQsKU&rel=1

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Thursday, July 19, 2007

VIDEOCLIP COM HISTÓRIA #11: NICK CAVE & THE BAD SEEDS (COM PJ HARVEY), «HENRY LEE» (1996)

Nem sempre, senão poucas vezes, o vídeo necessita de um grande orçamento, de uma grande logística ou de uma série de efeitos especiais. A beleza do videoclip de «Henry Lee» dá o mote à simplicidade de uma só ideia, de um só plano e de um só cenário.

O realizador Rocky Schenk, com passado de tarefeiro da grande indústria, nada teve mais que fazer do que dar o consentimento técnico e assistir passivo à intervenção destas duas figuras, Nick Cave e Polly Jean Harvey, absolutamente apaixonadas, que se limitam a seguir um roteiro praticamente improvisado. A troca de cumplicidades entre Cave e a sua «West Country Girl» segue intituivamente o enamoramento que resulta nas trocas de olhares, na dança e, por fim, no beijo.

A história de crime da canção ganha um epílogo imprevisto através do vídeo mais abençoado de sempre por S. Valentim, com Cave e Harvey a interpretarem sem resguardo os seus próprios papeis. A paixão foi interrompida mas o preciso momento em que as duas almas se encontram tem registo mítico. alt : http://www.youtube.com/v/pWMh5mDnWS8

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Monday, July 2, 2007

NO LOCAL CERTO, NO MOMENTO CERTO #10: FESTIVAL PAREDES DE COURA DE 2005

                                                                                                 Para mim, o melhor festival português de sempre da era regular pós-1995 correspondeu à edição de 2005 de Paredes de Coura - ainda melhor que o Sudoeste de 1998 (Portihead, PJ Harvey, Sonic Youth, Yo La Tengo, e outros). O programa do festival era invejável, mesmo para os cartazes dos eventos similares estrangeiros daquele ano. alt : http://www.youtube.com/v/viEKLS1lCtE

O movimento de gentes era saudável. Nunca, num festival português, me havia cruzado com tantos estrangeiros (sobretudo espanhóis), nem nunca havia sentido tanto frenesim das pessoas em descobrir bandas novas. À semelhança do que constatava lá fora, em Paredes de Coura a música esteve primeiro, e a razão da peregrinação da maior parte daqueles festivaleiros dependeu do conteúdo musical do evento e não de um gozo meramente lúdico. Havia felicidade no ar, alimentada e regenerada pelos sons que saíam do palco e que obrigavam a uma descida naquele anfiteatro natural bem maior do que o inicialmente calculado - e foram várias as vezes que acabei colado ao palco.

alt : http://www.youtube.com/v/8HAwHd9HS4M

Cheguei ouvindo elogios convictos sobre a actuação do duo Death From Above 1979. Os !!! não me deram tempo para ficar triste quanto à perdida anterior, absolutamente intrigado que estava a ficar com aquela fusão nos mesmos acordes do som cortante e matemático da Factory com a animação “disco” de um clube nova-iorquino dos anos 70. O nível de motim manteve-se com os Kaiser Chiefs, meninos foliões da pop britânica com queda para óptimos refrões e criação de hits, e nem o tropeção que pôs a coxear o saltitante vocalista Ricky Wilson, qual Damon Albarn dos velhos tempos, quebrou o humor e o embalo daquele entusiasmado set. A actuação mais maquinal dos Bravery reduziu o nível de empatia registado até então entre palco e audiência, mas não baixou o profissionalismo, rigoroso, do grupo nova-iorquino, que não deixou passar nada do melhor da pop britânica dos anos 70/80 que figura na árvore genealógica dos Kraftwerk (Gary Numan, Human League, Depeche Mode). Quando a música se reduziu à mera vertente física, com os Foo Fighters, uma das cabeças que já não lá estava era a minha.

Dia seguinte. Os mais que convincentes Futureheads faziam um itinerário interessante que apanhava, entre várias direcções, os Clash, os Jam ou Billy Bragg. Depois, seguiu-se o eclipse total com os Arcade Fire, que foram mestres de uma missa extravagante, que combinou espiritualidade com alegria. Não pareciam autores de um disco com o título de Funeral. Se alguém reclamou aquele como o álbum da década, teve seguramente razão por um dia, aquele em que os Arcade Fire tocaram em Paredes de Coura. Não tive pulmão (nem barriga cheia) para acompanhar os Roots como devia. O concerto eficiente e duro, mas pouco flexível e frio, dos Queens of the Stone Age foi outra hora boa para recarregamento de baterias. E quando os Pixies quarentões andaram pelo palco, estive à altura das exigências. E eles também, que foram conduzindo muito bem um alinhamento acústico em subida eléctrica gradual até à catarse. A belíssima história deu uma ajuda.

Último dia. Os National começaram a alterar as emoções do menos fresco público com uma reflexão madura do som joydivisiano. David Eugene Edwards, enquanto líder dos Woven Hand, foi brutal nas suas preces fanáticas ao além, parecendo o saldo do pesadelo de uma banda gótica como os Mission num cenário western spaguetti. Com os seus Licks, actriz Juliette Lewis interpretou muito bem o papel de Iggy Pop, e ainda experimentou o stage diving. O actor Vincent Gallo não fez nada bem o seu papel de músico - o concerto parecia um pedido de desculpas muito simpático quanto à falta de vocação para estar num festival daqueles. E Nick Cave & The Bad Seeds encerraram o festival com um concerto de arromba, no qual o cantor australiano exibiu o seu excelente coro gospel e fracturou mais umas quantas almas com uma performance demolidora e carismática que expressou uma saúde invulgar que fez esquecer o abandono recente de Blixa Bargeld. Inesquecível.

alt : http://www.youtube.com/v/kec42OJ28OU

De cima para baixo: Nick Cave, !!!, Kaiser Chiefs (momento em que Ricky Wilson torce o pé), Pixies, Woven Hand e Arcade Fire (as duas últimas músicas do concerto).

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Saturday, March 17, 2007

EXCITAÇÃO DA SEMANA: GRINDERMAN, «GRINDERMAN»

                                                                      Nick Cave, outra vez endiabrado, está a viver nova febre criativa. Tudo começou… ou melhor, tudo recomeçou quando Nick Cave empreende uma digressão europeia (que passou pelo Centro Cultural de Belém) sob os créditos de cartaz reduzidos ao seu nome. Acompanhavam-no mais três músicos, precisamente os mesmos que completam a formação de Grinderman: Warren Ellis (multi-instrumentista), Martin Casey (quase sempre baixista) e Jim Sclavunos (baterista e percussionista). A interpretação do reportório de Cave feita então (que incluiu temas dos Birthday Party) foi radicalmente revisionista, virando do avesso a personalidade dos temas (transformando temas doces em amargos, e vice-versa).

O manifesto ao vivo soprava uma súbita frescura, Nick Cave tinha reacordado afinal do seu posto cómodo de artista respeitado por todos. Depois do estado de hibernação criativa espelhado Nocturama (2003), Cave era novamente empurrado para junto do precipício com a saída do seu cúmplice de há muito Blixa Bargeld. A reacção não tinha demorado - e foi vista no CCB, com aquele quarteto.   

Mas faltava a grande prova de fôlego, o álbum. Nick Cave fez dois, num só, o duplo Abattoir Blues/The Lyre of Orpheus. Muita quantidade, ainda mais qualidade. O disco foi feito como se a vida de todos eles dependesse dele. Coros gospel, experiências soul, muita electricidade no ar e excelentes canções. A sobrevivência estava confirmada, o trabalho de escritório de Nick Cave rendeu.

Depois, o embalo criativo de Abattoir Blues/The Lyre of Orpheus mostra Cave à-vontade no exercício de composição da banda sonora do western australiano The Proposition (de que Cave é argumentista) em co-autoria com Warren Ellis, e devolve o cantor à condição de membro igualitário de uma banda punk-rock, mais de vinte anos depois do fim dos Birthday Party.

Mas os Grinderman não são os Birthday Party. São melhores. A banda que uniu Cave a Tracy Pew e a Mick Harvey era mais arty, mais ambígua, mais humorística - eram uma comédia de si mesmos. Os Grinderman são mais incisivos, mais frontais, mais perturbadores, mais sujos. E, acima de tudo, melhores músicos. Os Grinderman provam que, no processo evolutivo de Nick Cave, são uma etapa musical bastante mais avançada. Neste disco, o currículo ouve-se. (Mute, 2007)

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