Wednesday, April 23, 2008

AS MELHORES OBRAS DE SEMPRE EM DVD

Lista em contagem decrescente, inspirada num trabalho de selecção dos 50 melhores DVDs de música para votação que está a decorrer no Cotonete.

98º Miles Davis - Miles Electric: a Different Kind of Blue

Registo filmado do concerto de Miles Davis no Festival da Ilha de Wight, em 1970.

alt : http://www.youtube.com/v/vnFhnscKRXQ&hl=en


97º Dead Can Dance - Toward The Within

Retrato transversal do grupo que tem como base central uma actuação ao vivo.

alt : http://www.youtube.com/v/1p2g2WuGXwE&hl=en
PS - Lista pessoal elaborada no dia 20 de Abril de 2008, que inclui DVDs não formatados para a Região Europeia e exclui obras de ficção (exemplos: ‘biopics’ ou musicais). 

Posted by Gonçalo Palma at 22:12:38 | Permalink | No Comments »

Friday, December 21, 2007

EXCITAÇÃO DA SEMANA: BOB DYLAN, «THE OTHER SIDE OF THE MIRROR»

                                       The Other Side of the Mirror - Live at the Newport Folk Festival 1963-65, filmado por Murray Lerner, é um compêndio das três passagens de Bob Dylan por aquele evento, que estava condenado a sair em DVD mais tarde ou mais cedo. Saiu agora, e por isso está condenado também a ser um dos grandes DVDs do ano.

Como se sabe, o Festival Folk de Newport era o grande acontecimento anual que celebrava o revivalismo das raízes da música norte-americana que se vivia então. Lendas como Pete Seeger, Johnny Cash ou Odetta eram vistos por lá, mas o período folk deste festival (que substitui a fase jazz dos anos 50) ganha uma segunda vida quando Bob Dylan, a Voz da Nova Geração, passa a figurar no cartaz daquele célebre acontecimento.

alt : http://www.youtube.com/v/Mulmcgom02s&rel=1

1963, o ano da primeira participação de Dylan no Festival de Newport, foi um momento de revelação - para o músico e para os que o ouviam. A velha guarda e a nova geração encontravam-se e ouviam-se, mas Dylan passa a desequilibrar a balança a seu favor. O programa era clássico: um workshop vespertino espalhado em vários pontos do recinto e uma actuação nocturna no grande palco. As coisas correram tão bem a Dylan que a sua participação naquela edição do festival termina com «Blowin’ In the Wind» cantado em uníssono pelos outros músicos do cartaz (onde constavam a incontornável Joan Baez, o grupo Peter, Paul & Mary e o patrono Pete Seeger).

1964 é o ano da edição da paz podre entre Dylan e os peregrinos de Newport. Todos o aclamavam e elogiavam, todos os músicos tocavam uma canção sua ou lhe pediam que subisse ao palco. E Dylan a todos acudia - e a todos sorria. Lá tocou as suas célebres canções folk (como Mr. Tambourine Man ou Chimes of Freedom) para gáudio dos fãs e colegas - logo, não desapontou. Mas o espírito que ocupava aquele corpo já não era mais o de um jovem prodígio encantado pela inocência de tudo aquilo, mas o de uma estrela.

alt : http://www.youtube.com/v/XRbeUnn-AUA&rel=1

1965 é o ano da traição/progressão/adeus. O filho pródigo do festival tornou-se no seu carrasco. A veneração de massas que o invadiu no workshop acústico da tarde teve qualquer coisa de asfixiante - o momento em que Dylan, após a breve actuação, é apreciado de dentro da carrinha como um boneco de cera pelos rostos de jovens sedentos que esmagavam os vidros da viatura, é muito mais do que um pormenor voyeurista.

E assim o festival fez dele um rei, e assim Dylan retribuiu com um xeque-mate, através daquele set eléctrico da noite do dia seguinte. Maggie’s Farm e Like a Rolling Stone foram tocados em volume alto, com uma banda onde brilhava o exímio guitarrista de blues Mike Bloomfield. E em dez minutos, o muro entre géneros musicais caiu como um castelo de cartas. Afinal, a folk e o rock & roll eram parte do mesmo todo: da música, e da música de Dylan. Os que se desiludiram e o apuparam eram fãs de um só género, os que o aplaudiram provavam ser fãs de Dylan de corpo inteiro.

alt : http://www.youtube.com/v/3FoZUtbd3ng&rel=1

O regresso de Dylan para um encore acústico era fraco consolo e não esquecia os danos do arrasamento eléctrico dos minutos anteriores. Já não havia nada a fazer, a história tinha sido mudada. 
Texto publicado no Cotonete.

Posted by Gonçalo Palma at 19:13:41 | Permalink | No Comments »

Friday, September 14, 2007

SABIA QUE MISSISSIPPI JOHN HURT…?

                                                                    Sabia que o célebre bluesman Mississippi John Hurt (1892-1966) teve um interregno de mais de 30 anos de carreira, anonimamente vividos a trabalhar nos campos agrícolas do estado de Mississippi?

A depressão económica de 1929 e a ultrapassagem do seu estilo vocal macio por um estilo mais cru por parte de ícones como Blind Lemon Jefferson e Charley Patton, lança-o de volta ao trabalho do campo e interrompe um percurso musical público, que começou enquanto sensação das festas pastoris locais e prosseguiu até à frutuosa ligação contratual com a fidedigna Okeh Records. 

Quando a vida pacata de John Hurt parecia um dado adquirido, os astros começam congeminar-lhe uma surpresa. Em 1952, duas das músicas que gravou nos anos vinte - «Spike Driver Blues» e «Frankie» - são incluídas na compilação Anthology of American Folk Music, a cargo do grande musicólogo americano Harry Smith. A memória colectiva sobre a obra de Mississippi John Hurt é refrescada.

Anos mais tarde, num dia de Eureka!, o coleccionador de música Tom Hoskins conclui que a famosa canção de Hurt, «Avalon Blues», embora gravada em Nova Iorque, não se referia à grande cidade americana mas sim a uma pequena localidade do Mississippi, esquecida pelos mapas da época.

Num exercício de perseverança de investigador, Hoskins descobre o nome da localidade num mapa antigo de 1878. Decorria já o ano de 1963 e o coleccionador faz-se à estrada, até à tal Avalon. Lá, pergunta numa loja local por Mississippi John Hurt. Um empregado dá-lhe instruções simples, exactas. E eficazes. Tom Hoskins encontra um Mississippi John Hurt setentão, a conduzir um tractor no terreno onde trabalhava.

Desafiado por Hoskins, o mítico guitarrista relança a carreira, começa a gravar pela editora Piedmont e cumpre uma agenda ao vivo com uma intensidade que nunca conhecera. Torna-se numa das maiores atracções do Festival Folk de Newport de 1963 e repete a façanha no mesmo local uma ano depois. Muda de editora, assina pela Vanguard, e vive os anos mais dourados da sua carreira em plena terceira idade.

Mississippi John Hurt morre de ataque cardíaco em 1966, num período de grande azáfama musical. 

Actuação no Festival de Newport perante uma audiência impensável de mais dez mil pessoas, quase todas jovens e que nem sequer eram nascidas quando Mississippi John Hurt publicou os seus clássicos. A cena faz parte do documentário Festival!, realizado por Murray Lerner sobre Newport.  

alt : http://www.youtube.com/v/iXNfbnMFoGE

Posted by Gonçalo Palma at 22:45:32 | Permalink | No Comments »