A música canadiana tradicional tem três grandes fontes: a cultura índia inuit, a folk francófona e a folk britânica (em especial, irlandesa e escocesa).
Dos indígenas nativos têm vindo hábitos de throat singing (cantos polifónicos que puxam da garganta) e de uma música fortemente percussiva.
Quanto à influência francófona (restrita ao Quebeque), houve mestres na linha da melhor chanson française como Gilles Vigneault, Felix Leclerc e RobertCharlebois, mas no que concerne à raiz mais profunda da música gaulesa, os fogosos La Bottine Souriante têm sido a grande instituição há mais de 30 anos. Do espectro anglo-saxónico, Buffy Sainte-Marie deu alma ao período áureo da redescoberta da folk americana, na primeira metade dos anos 60, como o comprovou em acontecimentos como o Newport Folk Festival. E as harmoniosas Kate & Anna McGarrigle são há muito a grande força viva canadiana no que toca à secção de world music, e representam bem o misto linguístico da sua Montreal, que tem sido a chave da duradoira saúde criativa do duo.
No mundo extenso da pop, o papel do Canadá é subtil mas influente. Sem contar com o fenómeno de sucesso adolescente do jovem Paul Anka, que gozou vários 15 minutos de fama quando aproveitou o buraco de transição entre a elvismania e a beatlemania, o país do norte deu ao mundo gigantes da música com uma dimensão musical muito para lá das crises de borbulhas. Um dos melhores exemplos canadianos é Leonard Cohen, sem dúvida o músico mais lendário de Montreal e o grande singer-songwriter galã da história da música que, como escritor experiente, fez das suas melodias os mais belos poemas alguma vez musicados. Outra lenda tem sido Neil Young, que sempre se portou como uma autêntica formiga trabalhadora, com uma criatividade que não coube em super-bandas por onde passou como os Buffalo Springfield ou o dream-team Crosby, Stills, Nash & Young, produzindo antes uma carreira a solo de uma integridade invejável e actual. O seu habitat estende-se da garagem rock & roll (onde se reúne com os amigos Crazy Horse) ao terreno mais árido do country e do singer-songwriting, nunca renegando aventuras como o jazz, o gospel ou, como acidente de cálculo, a electrónica. Como é hábito nos seus colegas compatriotas, Neil Young passa por estado-unidense, país onde há muito reside. Mas bastou levantar a voz contra Bush no seu álbum mais político, “Living with War”, para a Casa Branca se defender e lembrar a todos que o músico não passa de um estrangeiro, de um canadiano.
Outro percurso que fez algumas tesouradas à linha da história pertence a Joni Mitchell, pela coragem e pelo estímulo que exerceu para outras mulheres seguirem a música de autor. E Mitchell nunca estagnou, parecendo que aquela jovem hippie que brilhou nos grandes festivais de música dos anos 60 e a senhora madura de hoje que exibe uma música perfumada de avant-garde pop e de jazz não são a mesma e única pessoa. Mary Margaret O’ Hara também é um nome a ser sublinhado dos últimos 20 anos nos domínios dapop artistiscamente mais ousada, assim como a andrógina KD Lang, que tem também derivado a sua paixão para o country. Mas o peso da folk canadiana é igualmente relembrado pela banda de culto Cowboy Junkies, onde enquadram o som dos Velvet Underground, com resultados memoráveis na versão de ‘Sweet Jane’. Ron Sexsmith tem sido o cavaleiro solitário das trovas folk-pop à guitarra, há uns bons 15 anos.
Em domínios mais pragmáticos, o Canadá também tem uma palavra a dizer. Seja no pop/rock orelhudo transvestido de alternativo (os Crash Test Dummies), no rock com acne (Alanis Morissette), napop (Celine Dion, Nelly Furtado), ou no rock sucedâneo de Bruce Springsteen (Bryan Adams, claro), os dólares canadianos também contam. No jazz, o Canadá não se tem distraído. É de lá que veio o maior arranjador de sempre do género, Gil Evans (quadro-superior da Columbia que gravou discos míticos de Miles Davis como Sketches of Spain). É também a norte dos Estados Unidos que vem a mais mediática cantora de jazz do mundo, Diana Krall.No hip hop mestiço e académico, através dos Bran Van 3000, ou na electrónica, através de Kid Koala, o Canadá também assinou o ponto. Fotografias de cima para baixo: Leonard Cohen, Buffy Sainte-Marie, Neil Young, Cowboys Junkies e Gil Evans. Imagens YouTube de cima para baixo: «Entre Deux Joints» de Robert Charlebois (1974), «The Stranger Song» de Leonard Cohen (1967), «Big Yellow Taxi» de Joni Mitchell (1970), «Drinkin’ in LA» dos Bran Van 3000 (1997). Texto publicado no Cotonete.
Os Dears representam a piscadela de olho de Montreal à facção de fãs dos Smiths. Mas a apetência vocal do grupo para o cabaret-pop familiar a Serge Gainsbourg e a tendência orquestral do seu indie-rock (de que os admiradores dos Divine Comedy podem gostar) são mais do que dois bónus.
A banda existe desde 1995, mas só a partir da presente década começou a marcar presença nas prateleiras das lojas de discos.
As reacções exclamativas ao seu segundo álbum de originais, No Cities Left, descentralizaram a sua música muito para lá de um efeito local. E talvez por isso, os Dears estabilizaram uma formação de seis membros (entre os quais, duas teclistas) que até então tinha sido muito flutuante. O poderio das suas actuações ao vivo e o carisma do seu vocalista e guitarrista Murray Lightburn também têm ajudado à crescente popularidade dos Dears.
No ano passado, seguiu-se um novo contributo para a ascensão do grupo: o terceiro álbum Gang of Loosers, mais demarcado do rebuscamento de cordas e mais frontal e eléctrico do que o seu antecessor, voltou a ganhar novos admiradores.
A reputação da banda já chegou aos talk-shows mais populares dos Estados Unidos (como no programa de David Letterman) onde têm marcado presença. Post-scriptum: tal como acontece com os Arcade Fire e os Besnard Lakes, também é possível encontrar nos Dears um casal registado legalmente: o líder Murray Lightburn e a teclista Natalia Yanchak são marido e mulher. Imagem YouTube: «Ticket to Immortality» (vídeo oficial). Texto publicado no Cotonete.
Não são apenas os embaixadores principais do som de Montreal, muitos defendem-nos como sendo a banda rock da década.
O casal Win Butler/Régine Chassagne forma o núcleo central de um grupo de seis elementos efectivos, formado em 2003. Win Butler, o principal compositor, e o seu irmão William cresceram em Dallas (estado do Texas), enquanto que Régine Chassagne viveu os primeiros anos da sua vida na ex-colónia francesa do Haiti, nas Caraíbas. Num daqueles dias especiais, Win entusiasma-se com uma performance vocal de jazz por parte de Chassagne: os Arcade Fire nasceriam pouco tempo depois em Montreal.
A progressão foi veloz: o EP homónimo de estreia (de 2003) cumpre muito mais do que o aquecimento de alguém que quer aparecer, com sete canções abrilhantadas por um nível acima da média (entre as quais a célebre «No Cars Go»).
Embalados como fenómeno ao vivo de culto nalgumas cidades canadianas e estado-unidenses, gravam o álbum que precipitaria a sua conquista do mundo: Funeral (de 2004), cujo título se deve à perca de vários familiares próximos dos músicos durante a gravação. O disco é uma sucessão de golpes de risco que marcou a imagem do grupo pela sua capacidade de vingar as letras mórbidas com uma música ferozmente positiva, ambiciosa e ousadamente épica.
A fragmentação das músicas assinalada com vários pontos de viragem em cada uma das faixas, a rotatividade dos muitos instrumentos por cada um dos músicos, o uso pontual da língua francesa típico das bandas anglófonas de Montreal, a democratização da ribalta dos concertos muito para além de Win Butler, e as doses elevadas de energia e teatralidade devotamente empregues em palco contribuíram para que a imprensa e o público se rendessem ao grupo. E de uma forma nunca vista pela sua quase unanimidade, nem mesmo sentida por bandas como os White Stripes e os Strokes, Funeral coleccionou aclamações de álbum do ano em tudo o que fosse publicações de música.
Participaram depois com uma canção original, «Cold Wind», para a banda sonora da série televisiva de culto Sete Palmos de Terra, e compraram uma capela em Montreal onde gravaram o sucessor de Funeral, a que chamaram de Neon Bible. O som desse disco aparece menos filtrado às influências (Bruce Springsteen soa mais descarado nalgumas canções) e a estrutura das músicas é mais linear e menos sinuosa. Mas o grupo consolida a sua popularidade, conseguindo vencer o fantasma do segundo álbum sem caír na armadilha de tentar fazer um álbum semelhante a Funeral.
Post-scriptum: Os U2 abriram os concertos da sua digressão mundial de 2005 com «Wake Up» dos Arcade Fire - como se pôde confirmar no concerto da banda de Bono no Estádio de Alvalade XXI, em Lisboa.
Imagens YouTube de cima para baixo: «No Cars Go» (ao vivo, França, 2005), «Haiti» (ao vivo, Holanda, 2005), «Guns of Brixton» (versão de uma música dos Clash gravada para a BBC), «Neon Bible» (elevador, França, 2007). Texto publicado no Cotonete.
O seu segundo álbum The Besnard Lakes Are the Dark Horse está a fazer dos Besnard Lakes uma das grandes revelações de 2007.
À semelhança dos Arcade Fire, os cabecilhas do grupo são um casal: o guitarrista e vocalista Jace Lasek e a baixista Olga Goreas. Os dois já viram vários colegas de bandas entrarem e saírem, e tiveram que ter um pouco mais de paciência que os Arcade Fire para sobressaírem, já que existem desde 2001 e só agora vêem o seu nome a exigir gasto condigno de tinta em tudo o que seja publicações de música.
À semelhança dos Arcade Fire, a sua pop está aprumada por vestimentas de seda, mas tem muitas outras complexidades: um certo ambientalismo espacial, algum psicadelismo enigmático, procuras inconstantes pela utopia dream-pop e descargas rockeiras mais prosaicas que fazem lembrar os bons tempos dos Smashing Pumpkins. É uma banda arisca a rótulos que está a causar o bichinho de atracção aos ouvidos que são atravessados pelo seu som. E estão a ajudar a aquecer ainda mais a cena de Montreal.
Post-scriptum: os Besnard Lakes são comparados repetidamente aos Beach Boys.
Filho de músicos sabe tocar. O seu pai é nada mais nada menos que o músico multifacetado Loudon Wainwright II, e a sua mãe é a cantora de folk canadiana Kate McGarrigle - a sua irmã Martha também tem uma vida pública de música.
Rufus Wainwright é uma figura imensamente rica, com uma discografia de cinco álbuns que parece uma visão compacta da história da canção dos últimos 100 anos. O cantor canadiano já fez um pouco de tudo e bem: vaudeville, musicais à Broadway, swing, singer-songwriting, glam, indie-pop. Fez ainda um espectáculo de tributo a Judy Garland no mítico Carnegie Hall, que depois de expandiu para uma mini-digressão, e que mereceu documentação para consumo no lar de cada fã através do álbum ao vivo Rufus, “Does Judy at Carnegie Hall” e do DVD “Rufus! Rufus! Rufus! Does Judy! Judy! Judy! Live at the London Palladium”. E agora ambiciona fazer uma ópera, “Prima Donna”, com libretto escrito em francês.
“Poses” (de 2001) é o seu disco de grande revelação, que sucede à estreia muito louvada pelos fãs acérrimos, de título homónimo.
Neste ano, candidata-se à aclamação de melhor álbum de 2007 em muitas publicações musicais com o seu último longo de originais, “Release the Stars”, onde participa gente ilustre como Richard Thompson e o seu filho Teddy, a sua mãe Kate McGarrigle, ou Neil Tennant dos Pet Shop Boys.
A sua dependência de drogas e a sua homossexualidade assumida (que quando não está explícita nas suas canções, está implícita) têm sido aspectos paralelos à sua música tornados públicos.
Post-scriptum: “Poses” foi composto durante a sua estada de seis meses no mítico Chelsea Hotel, que é hoje uma atracção turística nova-iorquina.
Imagens Youtube: Rufus Wainwright interpreta Judy Garland, em «Somewhere over the Rainbow»; vídeo oficial de «Going to a Town», retirado do seu último álbum. Texto publicado no Cotonete.
Montreal é a cidade mais importante do estado francófono do Quebeque, a segunda cidade mais populosa do Canadá e a segunda cidade francófona mais populosa de todo o mundo.
É a grande cidade bilingue da América, atendendo à percentagem assinalável de habitantes anglófonos - e, note-se, grande parte das bandas que dão azo ao movimento indie rock da cidade provêm desse eixo. E é um hábito inerente aos quebequenses a fluência nas duas línguas - com consequências visíveis na expressão musical local, sempre que ouvimos figuras como Leonard Cohen, Kate & Anna McGarrigle ou os Arcade Fire a desdobrarem esforços nas duas línguas.
O facto de Montreal ser uma comunidade multi-linguística tem feito da cidade um pólo cultural de referência. O contraste com Toronto (a maior cidade canadiana) é grande, porque a capital de Ontário é essencialmente uma cidade industrial e económica, sendo vista como o grande motor do desenvolvimento do Canadá - o que não acontece com Montreal. Esta rivalidade faz lembrar a relação entre as duas principais cidades de outros países como a Holanda, fazendo Toronto de Roterdão e Montreal de Amsterdão. Enquanto que Toronto trabalha, Montreal diverte-se.
A cidade do Quebeque é um espaço de concentração de eventos culturais de referência mundial como o festival de comédia Juste pour Rire ou o Festival de Jazz de Montreal. Acolhe uma das maiores cidades universitárias mundiais e possui um centro histórico valioso, le Vieux-Montréal, que faz de Montreal a cidade mais europeia da América. Junta-se um dado decisivo para a edificação de grandes movimentos culturais: o facto de Montreal ser uma cidade barata. As rendas baixas das casas numa grande cidade contribuem para a fertilidade artística, como confirmam exemplos históricos como o do bairro nova-iorquino de Greenwich Village que durante os seus tempos de vida barata (anos 50 e 60) foi um viveiro de movimentos literários, humorísticos e musicais. Hoje é uma zona de luxo, Montreal ainda não. Texto publicado no Cotonete.
De um ponto de vista pop, o Canadá já não é um país tão discreto no mundo da música como o foi até há dez anos. As revelações de Montreal e a epidemia saudável de excelentes bandas que se tem alastrado pelos estados anglófonos têm alertado a curiosidade estrangeira para não testar apenas o sentido do paladar em busca do bacalhau da Terra Nova sempre que se falar do Canadá.
Dois super-grupos de indie rock como os New Pornographers e os Broken Social Scene têm dados cartas contínua e obstinadamente. O primeiro colectivo, oriundo da grande cidade oriental de Vancouver, deu a conhecer ao mundo as potencialidades artísticas de Neko Case que teve que se soltar do grupo para dar asas ao seu imenso talento, a solo, explorando antes o seu interesse pelo country. Os Broken Social Scene, oriundos de Toronto, tiveram nas suas fileiras a cantora Leslie Feist que tem feito um percurso individual notável, como singer-songwriter invulgarmente extrovertida para a função.
A tradição folk canadiana faz-se ouvir muito na esfera indie pop do país. Na facção mais rupestre, o trio de vozes femininas Be Good Tanyas (de Vancouver) tem encantado com as suas harmonias bluegrass, coleccionando críticas positivas. Outra conterrânea, Oh Susanna (o nome onde se esconde Suzie Ungerleider) tem aprofundado, através da criação, as raízes do country, reinventando-o. Os Sadies (de Toronto) não são tão meditativos, e preferem encaminhar o country para as cavalgaduras do surf-billy mais explosivo.
Na área mais barroca, Owen Pallet tem submetido grande parte do seu talento enquanto violinista singular ao serviço do seu projecto individual Final Fantasy, onde não falta sequer um momento ou outro de humor como a pirueta de 180º a um original de Mariah Carey.
Os Apostle of Hustle, também de Toronto, chamam a atenção para o seu rock experimental com uns exotismos mais hispânicos e surrealistas. Da mesma cidade de Ontário, os The Hidden Cameras preferem uma excentricidade mais anglo-saxónica, com actuações ao vivo frenéticas, uma pop provocadora e falsamente arrumada e letras recheadas de duplos sentidos - e em suma, uma das bandas mais inteligentes do Canadá da presente década.
Mas o Canadá também tem mostrado o seu cabedal rock. Que o digam os Black Mountain (de Vancouver), do poiso do blues psicadélico, ou os estranhíssimos Death from Above 1979, uma dupla formada por um baixista/teclista e um vocalista/baterista que se desdobrou entre os sons punk, hip hop e synth-pop - quase tudo isto sem guitarra eléctrica. Os Death from Above 1979 interromperam há pouco tempo actividade mas já estão a deixar muitas saudades.
Texto publicado no Cotonete.
Fotos de cima para baixo: Feist, Be Good Tanyas e The Hidden Cameras
Imagens YouTube de cima par baixo: New Pornographers (vídeo de «Challengers»), Final Fantasy a interpretar ao vivo um original de Mariah Carey e os Death from Above 1979 (vídeo de «Black History Month»).
Para uma banda que tem sido conotada com o pós-rock, os instrumentais Godspeed You! Black Emperor (também conhecidos como GY!BE) aparentam uma familiaridade invulgar com elementos alheios a esse nicho, como a música erudita, em especial a música contemporânea e o avant-garde.
O colectivo, formado em 1994, é de tal forma numeroso (nove músicos ao todo) e democrático nas decisões que os seus membros, mesmo os mais históricos como os guitarristas David Bryant e Roger Tellier-Craig, passam por anónimos.
O som invernoso e apocalíptico (característico de Montreal) é apoiado por uma densidade sonora de guitarras, baixo, mais que uma bateria e uma secção de cordas muito interventiva, que, ao vivo, acompanha projecções de vários filmes e samples de várias vozes (que, às vezes, são discursos políticos).
As flutuações do colectivo, entre o pacifismo atmosférico e a descarga eléctrica mais pesada, que se substituem ordeiramente, tornaram-se uma característica do grupo. A militância política de extrema-esquerda da banda, a duração média de 15 minutos de cada música e o seguidismo dos seus fãs um pouco por todo o mundo são outros dados ilustrativos do que representam os GY!BE.
A discografia do grupo, apenas composta por três longos e um EP, é suficientemente equilibrada para impedir a escolha a dedo de um ou dois discos. Mas o envolvimento cada vez maior dos seus músicos em numerosos projectos paralelos (o mais conhecido dos quais, os A Silver Mt Zion) fez com que a actividade da banda abrandasse.
Os Godspeed You! Black Emperor são hoje o nome mais sonante do catálogo da Kranky, a que já não pertencem. O seu impacto tem tido repercussões na criação de um número inusitado de bandas de rock experimental instrumental de dinâmica apoteótica.
Post-scriptum: o nome da banda, Godspeed You! Black Emperor, é retirado de um documentário japonês realizado por Mitsuo Yanagimachi, de nome God Speed You! Black Emperor.
O Canadá é uma espécie de Suíça da América. Tem mais do que uma língua oficial - inglês e francês, neste caso. É reconhecido por ter um nível de bem-estar e de segurança únicos no continente. Também se destaca nas notícias sempre que acontecem os Jogos Olímpicos de Inverno - no Canadá, o desporto-rei é o hóquei no gelo. O nome da moeda nacional, o dólar canadiano, é igualmente um derivado de uma outra mais poderosa. E tal como o país europeu dos Cantões, o Canadá sofre de falta de coesão nacional, com uma unidade frágil ameaçada irregularmente pelos referendos à independência do Quebeque (o único estado-membro francófono) - o último sufrágio, ocorrido há poucos anos, falhou por pouco o sim.
Apesar de ser o segundo país do mundo com maior território e um dos oito países mais industrializados (por isso, membro do G-8), o Canadá vive na sombra do vizinho poderoso, os Estados Unidos. Um reflexo ilustrativo: os canadianos são reconhecidos no exterior como estado-unidenses, o que acontece também com as suas próprias figuras públicas.
Por parecer um Estado inofensivo, o Canadá é um alvo humorístico frequente de algumas grandes séries televisivas norte-americanas como aconteceu com a sátira dos personagens dos cartoons de South Park na controversa canção ‘Blame Canada’ - uma auto-crítica à expiação de males ao mais próximo. Mas quando o documentarista Michael Moore quis intensificar as críticas ao livre de comércio de armas nos Estados Unidos no seu filme “Blowing for Columbine”, citou como exemplo a seguir o mais protector sistema canadiano, que apresenta uma percentagem de crime muito inferior ao da super-potência.
Apesar de aparentemente semelhantes, há diferenças substanciais entre os dois Estados. O Canadá pertence à Commonwealth e deve obediência à Rainha Isabel II do Reino Unido, o que não acontece com os Estados Unidos. O seu sistema político é mais liberal e mais tolerante para com as minorias, com uma rede de saúde pública de uma expansão sem igual no continente. E o Canadá é talvez o mais europeu dos países americanos. Texto publicado no Cotonete.