
A namorada da altura, uma bailarina de topo, incentivou Miles Davis a ver um espectáculo de bailado clássico inspirado no flamenco. A meio do bailado, o espectador Miles Davis começa a imaginar aquele disco que se seria
Sketches of Spain.
O plano seria congeminado com o seu conselheiro-mor de então, o especialista de arranjos orquestrais Gil Evans, com quem deu ao mundo do jazz maravilhas como Miles Ahead e Porgy and Bess, e o resultado comprovaria mais um grande disco para a colecção de obras-primas de Miles Davis.
Num assomo de espanholismo, e pegando em temas de Joaquin Rodrigo e de Manuel de Falla, Davis e Evans espalham as entranhas do jazz pelo mundo mais clássico do bailado, tornando mais uma vez a música num espaço etéreo e indefeso perante as ousadias de estranhos e curiosos.
Sob melodias orgulhosas da sua elegância, ouvem-se com redobrado fulgor castanholas a representar a raça do flamenco, marchas militares solenes e, ao fundo, o toque malandro de Don Juan. No posto de vigia, e também no centro de gravitação, claro, o trompete de Miles Davis, para mais sopros milagrosos a empurrar a música mais adiante.