RECORDAR UM ENTREVISTADO #11: ADOLFO LUXÚRIA CANIBAL
Adolfo Luxúria Canibal, o rosto principal dos Mão Morta, que vai mostrando serviço paralelo em colaborações ou em projectos como os Mécanosphère, é dos entrevistados mais cordatos que conheço. As mais diversas situações o confirmaram, fosse para entrevistas promocionais ou para notícias, fosse a propósito dos Mão Morta ou dos Mécanosphère.
Mas a imagem mais forte que guardo dos encontros com Adolfo Luxúria Canibal decorre de uma situação que antecede uma entrevista feita em formato de blindfold test (teste de recolha de opiniões sobre as músicas postas a tocar pelo entrevistador, sem denunciar imediatamente os autores das mesmas), e acontece com outra pessoa. Quando conto o que iria fazer na hora seguinte a um membro não-jornalístico da redacção a que então pertencia (a malograda revista Voice), dizendo-lhe «vou à casa do Adolfo Luxúria Canibal entrevistá-lo», a sua reacção foi de pavor, como se eu fosse para uma residência isolada de algum Charles Manson, com hipóteses de sobrevivência remotas.
A imagem de Adolfo enquanto pessoa cordial e calma não é pública, é de pertença exclusiva dos jornalistas e dos seus próximos.
Sabia que quando perguntam a Adolfo Luxúria Canibal, vocalista dos Mão Morta, por que razão tem aquele nome, o músico costuma responder que é Luxúria por parte da mãe e Canibal por parte do pai?
