Saturday, June 16, 2007

EXCITAÇÃO DA SEMANA: LOW, «DRUMS AND GUNS»

                                                             A sobrevivência dos Low tem sido das mais consistentes da última década e meia. O estreante I Could Live in Hope (1994) ainda se afirma como o álbum-charneira do trio mas estava longe de prenunciar uma vida tão longa e saudável para o grupo, que foi sabendo deslizar para fora daquele som mais pesado e sufocante dos primeiros três álbuns, acrescentando sempre a cada etapa dois ou três pormenores inéditos, sem nunca perder a coerência e a identidade.  

Funcionando cada álbum como um desafio para fazer algo de diferente em relação ao anterior, a actualização feita em Drums and Guns alveja um som mais minimal, que se serve de uma electrónica doméstica muito assente na caixa de ritmos e numa estrutura muito simples apoiada na lógica «less is more».  

Desenganem-se aqueles que poderão pensar que os Low estão a soar a Young Marble Giants. O som não é tão inocente e não consegue esconder a sapiência musical adquirida ao longo dos anos pelo grupo de Mimi Parker e Alan Sparhawk - os Low já conhecem alguns subterfúgios e a sua experiência talvez os aproxime mais do disco crepuscular dos Yo La Tengo, Summer Sun.

Há pequenos truques, que os Low vão aplicando há muito, como o empurrão dos temas mais fortes e perturbadores para a segunda metade do disco, fixando as melodias menos ostensivas mas mais experimentais, que por vezes parecem esboços, na primeira metade. Respeitando o trajecto aventureiro inicial, as mais arrasadoras canções são guardadas para mais adiante, e o final tem a rendição do ouvinte por garantida e a conclusão de que as dificuldades de digestão mereceram a pena.

Acrescentem as cristalinas harmonias vocais do casal Alan/Mimi, que não há modo de embaciarem, e temos outro grande disco dos Low.  (Sub Pop, 2007) alt : http://www.youtube.com/v/zmo7tyrtGW0

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Sunday, June 3, 2007

LOW: DEVAGAR SE FOI LONGE

Para a pequena mas muito sólida base de fãs do grupo em Portugal, sobretudo para aqueles que desde cedo (desde o magnífico debute, I Could Live in Hope, em 1994) se começaram a familiarizar com o seu som arrastado, a noite de ontem, no Santiago Alquimista (Lisboa), foi como uma matança de um resistente borrego - segundo modos lentos e pacíficos como convém.

O repertório já é longo, e por culpa desse mérito, os Low dão a sensação que é fácil darem um concerto melhor - por muito bom que ele seja - e que é fácil convencerem o seu público - tantas as boas canções por onde escolher. As margens de eficiência são enormes e talvez por isso, a actuação tenha parecido desafogada, tendo bastado uma guitarra eléctrica, um baixo e uma cinéfila bateria, além das canções (sempre boas) e de um pouco de profissionalismo.

A banda sonora de Twin Peaks (que Angelo Badalamenti compôs para a série televisiva de David Lynch) começou por ser uma influência, mas oito álbuns e uns quantos EPs marcantes tornaram-nos os proprietários legítimos daquele som. Os Low são hoje a banda sonora de Twin Peaks. Ela continuou sem guião e sem ser necessário desvendar quem matou Laura Palmer. O sinal de vida da bizarra «telenovela» prolongou-se com várias e diversas flutuações - ora ainda mais lúgubres, ora mais positivas, ora mais noise & roll - na própria música dos Low. E por terem sabido manter esse espírito, sabendo actualizá-lo e renová-lo, o trio tem hoje garantido um fértil circuito ao vivo de pequenos clubes e de cafés, e um público rendido antes de ser necessário tocar o primeiro acorde - como sucedeu ontem.

   A lynchiana cortina avermelhada da sala foi uma coincidência cenográfica proporcional para um concerto condenado à partida ao sucesso, em que era fácil as coisas correrem bem. Mesmo sem os préstimos do baixista de longa data Zak Sally, com Matt Livingston no seu lugar, os catorze anos de disciplina produtiva exemplar que o grupo já leva, aliados ao talento (mesmo que sem pontos altos de génio), tem que produzir resultados que só podem ser bons: as brilhantes harmonias vocais entre o guitarrista e líder Alan Sparhawk e a baterista de pé Mimi Parker, a maleabilidade instrumental que os permite improvisar e corrigir os alinhamentos a meio do concerto, e um sentimento confortável com o seu estatuto de banda fúnebre. Tudo isto conduzi-os a novos louvores e a um segundo encore não previsto.

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Tuesday, March 13, 2007

LOW EM PORTUGAL, OUTONO EM LISBOA

                                         Alô fãs de Low - de Joy Division, de David Lynch, de Angelo Badalamenti, de Pixies, de Mazzy Star, de Grant Lee Buffalo… e de outros parentes!? O trio norte-americano Low vem finalmente a Portugal para perturbar o andamento natural das estações e inaugurar a época outonal no mês quente de Junho: é no dia 2, no Santiago Alquimista, em Lisboa.

A banda está quase a editar o novo álbum Drums & Guns, o nono longo de originais da sua profícua carreira.

Oriundo do YouTube, o vídeo de «Dinosaur Act» que se segue promove um dos melhores álbuns da carreira dos Low, Things We Lost in Fire (2001).

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