Saturday, April 26, 2008

NO MEU CINEMA: GRANT GEE, «JOY DIVISION»

                                                                       Já se sabe: a fascinante história dos Joy Division, com a marca imaculada de uma vida íntegra por parte do seu líder e mártir Ian Curtis que se suicidou aos 23 anos, arrisca-se a dar origem a um óptimo documentário.

Basta uma recolha das poucas mas impressionantes imagens que existem dos Joy Division e mais algumas que dêem um retrato social da época, depoimentos por parte dos envolvidos (destaque-se a participação da amante belga de Ian Curtis, Annick Honoré, que nunca dá entrevistas), um encadeamento cronológico apoiado num trabalho de montagem rigoroso que dê dinâmica ao filme, um bom enquadramento da banda na cidade de Manchester e alguma sensibilidade de cineasta. Foi o que Grant Gee fez e, por isso, o documentário é espantoso.

PS - Grant Gee é sobretudo conhecido pelo documentário Meeting People Is Easy, sobre uma digressão dos Radiohead durante os tempos de OK Computer.

PS - Joy Division foi exibido no dia 25 de Abril no IndieLisboa, em sessão única.

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Monday, November 19, 2007

NO MEU CINEMA: «CONTROL» DE ANTON CORBIJN

                                                                          Está a surpreender-me a vaga de críticas positivas (que evidentemente respeito) em torno de Control, o filme biográfico sobre a vida de Ian Curtis (líder dos Joy Division que se suicidou em 1980). Achei-o profundamente mediano.

Nota 1: Control lembra-me que Anton Corbijn é um excelente fotógrafo e um realizador de videoclips com obra de autor, e não um realizador de cinema. As perspicazes opções de filmagem a preto e branco, o desenho cenográfico e quase poético dos subúrbios cinzentões de Manchester alusivos a um período cinzentão da vida social britânica (prenúncio e confirmação da chegada ao poder de Thatcher) ou aquelas captações musicais ao vivo quase reais, não fizeram Corbijn inventar a pólvora de modo a criar repentinamente ele mesmo cinema de corpo inteiro.

Nota 2: Control fica encravado durante as suas duas horas entre a opção de cinema de autor e a do filme biográfico encomendado. E de lá não saiu. Nunca foi bem uma coisa, nem outra. Control não é carne, nem peixe - o contrário do que se poderia dizer da música dos Joy Division.

Nota 3: Outro contraste muito chato com a realidade histórica é o actor que interpreta Ian Curtis, Sam Riley. Tem sido elogiado pelas parecenças físicas com o lendário cantor, mas a mim lembrou-me desde o início o baixista dos Ramones, Dee Dee Ramone (que apesar de mítico, era a caricatura do homem banal). A ausência de uma expressão forte de Sam Riley faz do Ian Curtis interpretado uma sombra apática daquele que existiu, que era brindado por um olhar marcante e por uma aura especial que fazia dele uma figura alienígena.    

Nota 4: A direcção de actores é, aliás, um dos pontos mais fracos do filme. As personagens parecem marionetas passivas, órfãs de vida própria, que se limitam a cumprir os clichés da história.

Nota 5: Que faceta desconhecida da personalidade complexa de Ian Curtis nos deu Corbijn a conhecer, além das suas famosas depressões e dos seus problemas de epilepsia? Onde está o lado mais humorado que os seus ex-colegas lembram, por exemplo? É talvez esse apoio na visão humorística que faz 24 Party People (o filme de Michael Winterbottom sobre a Factory) ganhar aos pontos este taciturno Control.

Nota 6: Para se seguir com um decalque rigoroso a linha factual tentando reproduzi-la com o máximo realismo, como acontece em Control, é preciso uma dinâmica profissional típica de uma indústria de topo como aquela que ergueu o biopic de Johnny Cash, Walk the Line, que tão bons resultados colheu. Entregar um filme desta natureza a um cineasta aprendiz como Anton Corbijn, mesmo que tivesse conhecido pessoal e profissionalmente Ian Curtis, tem efeitos poucos interessantes.

Nota 7: Há um desvio de salutar ao livro de Deborah Curtis, Touching from a Distance - Ian Curtis and Joy Division, que inspira este filme: o retrato que Corbijn faz de Annick Honoré, a amante belga de Curtis, é um pouco mais humano. Ao menos isso. 

PS - Abrandamento bloguista necessário por motivos alheios. A ver se não dura muito tempo…

Posted by Gonçalo Palma at 22:56:58 | Permalink | Comments (2)

Wednesday, October 31, 2007

LETRAS QUE MERECEM SER LIDAS #14: JOY DIVISION, «LOVE WILL TEAR US APART» (1980)

                                                                                             Ian Curtis já cercava há muito a perfeição nas letras - e os Joy Division faziam o mesmo na sua música - mas nunca Curtis nunca a ameaçou tanto como em «Love Will Tear Us Apart» - os Joy Division seguiram o repto.

Letra: Ian Curtis

Composição e interpretação: Joy Division

When routine bites hard,

And ambitions are low,

And resentment rides high,

But emotions won’t grow,

And we’re changing our ways,

Taking different roads.

Then love, love will tear us apart again.

Love, love will tear us apart again.

Why is the bedroom so cold?

You’ve turned away on your side.

Is my timing that flawed?

Our respect runs so dry.

Yet there’s still this appeal

That we’ve kept through our lives.

But love, love will tear us apart again.

Love, love will tear us apart again.

You cry out in your sleep,

All my failings exposed.

And there’s a taste in my mouth,

As desperation takes hold.

Just that something so good

Just can’t function no more.

But love, love will tear us apart again.

Love, love will tear us apart again.

Love, love will tear us apart again.

Love, love will tear us apart again.

alt : http://www.youtube.com/v/BNMbuygEju8&rel=1

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Wednesday, September 5, 2007

ENTRE TANTO…

Notas soltas de um post-scriptum…

Joy Division: Tony Wilson descobre oiro, a Factory passa a legislar, Manchester é sublinhado no mapa…

alt : http://www.youtube.com/v/0LdEM9xhMUM

Max Roach: muito bem acompanhado. Acompanhavam-no.

alt : http://www.youtube.com/v/iePwDhUGzp0

Hilly Krystal, o do CBGB: havia um espaço vazio por preencher na história da música e ele deu o seu.

alt : http://www.youtube.com/v/P0JXW3ykycE

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Monday, April 23, 2007

SABIA QUE MONT-DE-MARSAN…?

Sabia que, segundo os anais da história, o primeiro festival europeu de punk ocorreu numa praça de touros da pequena cidade de Mont-de-Marsan, no sul de França, em Agosto de 1976? O cartaz teve como nomes fortes os The Damned [na primeira foto], Nick Lowe and the Girls e os mods Gorillas. Houve baixas de vulto como Richard Hell e os então caloiros The Clash que, por julgarem que os Sex Pistols tinha sido eliminados do alinhamento do festival, se solidarizaram e cancelaram a sua actuação.

O festival de Mont-de-Marsan foi organizado pelo activo programador, lojista e editor Marc Zermati [na segunda foto], um fã de MC5 e de Lou Reed que estava sempre muito atento à vanguarda da música. Devido aos constrangimentos impostos pela polícia parisiense a festivais daquela natureza - à semelhança do que acontecia em todo o Reino Unido -, Marc Zermati conseguiu estabelecer uma conexão com o comandante policial de Mont-de-Marsan, que se deveu ao facto de ambos serem pied-noirs (designação para os franceses nascidos no norte de África). Essa cumplicidade permitiu a concretização do festival naquela inacessível cidade militar.

A audiência, apenas composta por algumas centenas de pessoas, era um híbrido de velhos hippies, punks sem indumentária e fãs de rock progressivo, que correspondia ao indefinido cartaz. Marcado pelo sol arrasador e por uma muito louvada actuação dos Damned, o festival representou o anúncio da morte do movimento hippie e de uma nova revolução na música que devolveria o rock às suas origens: o punk.

Numa célebre foto tirada do palco aos Damned, é visível microscopicamente e muito ao longe, na zona da bancada e fora da confusão da arena, um homem muito atento, de óculos escuros e t-shirt sem mangas, com uma mulher ao seu lado direito. Esse homem era um consumidor compulsivo de música de Manchester chamado Ian Curtis, e estava acompanhado pela sua mulher Deborah. Os dois foram à boleia até ao sul de França. Segundo relatos de Deborah à Mojo de Novembro de 2006, Ian Curtis gostou tanto do concerto dos Damned que quis (e conseguiu) falar com eles. Deborah descreveu o comportamento de Ian Curtis em não se misturar no meio da multidão dos concertos como típico - «ele era demasiado cool para se aproximar do palco». No livro de memórias Touching from a Distance sobre o malogrado líder dos Joy Division, Deborah Curtis refere que foi durante essa viagem entre Inglaterra e o sul de França que se descobriu a epilepsia de Ian.

No ano seguinte, em 1977, o festival de Mont-de-Marsan conseguiu atrair nomes como The Clash [na terceira foto], The Police (que, excepcionalmente, actuaram como quarteto), The Maniacs, The Boys ou os repetentes The Damned (que se estrearam então como quinteto). Milhares de pessoas lotaram a praça de touros de Plumonçon. Um dos espectadores era Zé Pedro que, impressionado com o concerto dos Clash, regressou a Portugal com a vontade de formar uma banda punk. Chamar-se-iam Xutos & Pontapés. 

 

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