NO MEU CINEMA: DOIS ÍCONES NOVA-IORQUINOS
Despedi-me desta edição do IndieLisboa vendo dois documentários sobre duas referências da música popular urbana: Patti Smith e Lou Reed.
Guardo com mais carinho o filme sobre Patti, Dream of Life, de Steven Sebring. A dedicação de 11 anos do documentarista permitiu um belo pedaço de cinema sobre a vida real de Patti Smith: música, livros, as desventuras da vida. Ali está um ser especial e generoso. Palpita-me que aquela espiritualidade da cantora poderia ser compatível com uma bela amizade com Joe Strummer, alma boa que o IndieLisboa também exibiu.
Como me parece que vai ser impossível estar ao mesmo tempo no Passeio Marítimo de Algés (a ver Leonard Cohen) e no Campo Pequeno (a ver Lou Reed) no dia 19 de Julho, achei obrigatório compensar essa ausência do dom da
omnipresença vendo o filme-concerto Lou Reed’s Berlin, de Julian Schnabel (que convivia no círculo de Andy Warhol), que tem tudo a ver com o que se vai passar na digressão que o traz: a interpretação ao vivo da sua obra mais ambiciosa, Berlin, acompanhado por uma orquestra. O filme, demasiado estático, não compensou de todo.
Um dos filmes mais aguardados da secção IndieMusic, do IndieLisboa, era o documentário biográfico sobre o mítico líder dos Clash, Joe Strummer, realizado por Julien Temple: Joe Strummer: The Future Is Unwritten.
Já se sabe: a fascinante história dos Joy Division, com a marca imaculada de uma vida íntegra por parte do seu líder e mártir Ian Curtis que se suicidou aos 23 anos, arrisca-se a dar origem a um óptimo documentário.
Foi exibido no decurso da secção IndieMusic, do festival IndieLisboa que está a acontecer, o filme The Old Weird America: Harry Smith’s Anthology of American Folk Music, que se aconselha.
The Old Weird America, debatendo-se com poucas imagens do passado, reconforta-se com interesse nos testemunhos dos vivos (como o crítico de música Greil Marcus) e no festival itinerante de homenagem ao trabalho de Harry Smith, de onde vemos interpretações de velhos temas populares americanos por figuras como Nick Cave, Lou Reed (que está fantástico), Sonic Youth, Elvis Costello, David Thomas ou Richard Thompson.