Tuesday, April 17, 2007

ORFANATO: «AMOR», HERÓIS DO MAR (1982)

A famosa canção dos Heróis do Mar «Amor» encontra-se fora de qualquer álbum de originais do grupo, e só é publicado no formato de longa duração em duas compilações muito posteriores: Paixão (editada em 2001, é um apanhado da ligação com a Polygram, que dura entre 1981 e 1985) e Amor (lançada este ano, é um sumário de toda a carreira da banda).

O «Amor» torna-se num tema histórico por três razões. Inaugura o período dourado dos maxi-singles na música portuguesa. É a primeira canção portuguesa a fundir com sucesso a pop com a música de dança. E rompe de vez com o bloqueio mediático ao grupo, desmanchando mal-entendidos quanto às suas intenções ideológicas (confundidas no álbum de estreia homónimo com propósitos fascistas). 

O single confirma a conjuntura neo-romântica internacional liderada pelos Duran Duran e pelos Spandau Ballet, e denuncia as primeiras aproximações à pista de dança que o guitarrista Paulo Pedro Gonçalves e o vocalista Rui Pregal da Cunha desenvolveriam no projecto LX-90, imediatamente depois do fim dos Heróis do Mar, em 1989.

O «Amor» ganhou um protagonismo então desconhecido no panorama da música moderna portuguesa.

Numa fase em que grandes formações estão a regressar (Roxy Music, The Police, e muito outros), o caso nacional de maior desejo quanto a uma recuperação de nostalgia em palco continua a ser o dos Heróis do Mar.

O teledisco aqui apresentado, foi colocado no YouTube pelo blog Brava Dança, criado a propósito do documentário do mesmo nome, da autoria de José Pinheiro e Jorge Pires.

alt : http://www.youtube.com/v/UPqIz7ymhFY

Posted by Gonçalo Palma at 11:53:41 | Permalink | Comments (8)

Friday, March 16, 2007

NO MEU CINEMA: «BRAVA DANÇA», DE JOSÉ PINHEIRO E JORGE PIRES

Fui ver esta semana o documentário sobre os Heróis do Mar, Brava Dança, no único local lisboeta que o exibe: a sala nº6 dos cinemas Lusomundo Vasco da Gama. O projecto é da autoria do jornalista musical Jorge Pereirinha Pires (que passou por publicações como o Blitz e o Expresso, e se dedica actualmente à escrita de livros biográficos sobre músicos) e do videasta José Francisco Pinheiro (nome respeitado enquanto realizador de videoclips).

Fiquei consolado com o que vi, embora não totalmente convencido. Considero o saldo final positivo, e talvez mesmo vitorioso, por vários motivos. O primeiro é o de conseguir relançar a discussão sobre uma das mais influentes bandas pop portuguesas de sempre, que apareceu com um manifesto estético fortíssimo, representativo de uma nova forma de entender a liberdade segundo códigos mais anglo-saxónicos e urbanos, e com uma auto-estima nacional que não existia e que por isso foi mal-entendida (com conotações com o fascismo que se provaram levianas) por um país atrasado e recém-oprimido por uma ditadura de quase 50 anos.

O segundo motivo de regozijo é o importante trabalho de recolha que retirou do esquecimento alguns dos muitos documentos que uma banda de exposição televisiva regular como os Heróis do Mar deixou ou deveria ter deixado - e que, felizmente, levanta a preocupação quanto ao mau tratamento do arquivo visual do grupo (mas virá a preocupação a tempo?).

A última razão para o reconhecimento deste trabalho é óbvia, ela prende-se com a finalização do projecto e com a sua divulgação condigna, apoiada no festival DocLisboa e agora, depois de algumas ante-estreias, no circuito comercial cinematográfico (a passagem na televisão e a edição em DVD são, espera-se, as etapas seguintes). Todos ficam a ganhar: os Heróis do Mar, os amantes dos Heróis do Mar, a música portuguesa.

Uma banda que, quando apareceu, provocou uma divisão de opiniões e levantou a ponta do véu quanto ao atraso do país que estranhou o produto modernista dotado de um padrão de profissionalismo inexistente no então artesanal circuito musical português. Que se tornou depois num fenómeno dançante pioneiro no nosso país por via de singles comerciais e fortes como «Amor» e «Paixão» que conquistaram o éter radiofónico e terminaram com o equivocado bloqueio à banda. Que fez uma surpreendente reformulação estética na segunda metade da carreira com o álbum Macau, permitindo-lhes um novo fôlego. Uma bandas destas, composta por cinco individualidades tão diferentes, só pode propiciar um documentário interessante.

Lamenta-se que Brava Dança deva demasiado do seu mérito à interessante história dos Heróis do Mar, com uma ausência de intervenção dos seus autores (José Pinheiro e Jorge Pires) que, embora sendo uma opção legítima, parece de excessivo pudor, negando a possibilidade de um maior enriquecimento da obra (mais formatada tecnicamente para a televisão do que para o grande ecrã).

Mas tal como o legado dos Heróis do Mar, louva-se a existência deste documentário. Que se sigam outros.  

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Friday, March 9, 2007

SABIA QUE OS HERÓIS DO MAR…?

Sabia que os Heróis do Mar só conseguiram tocar a sul do Tejo ao fim de cinco anos de carreira? O visual militarizado e patriótico do grupo de Pedro Ayres Magalhães causou controvérsia num país ainda em pós-revolução, sobretudo nas regiões mais a sul (onde a esquerda tem maior implantação).

À acusação de «fascistas», os Heróis do Mar respondiam com o lema de Fidel Castro «a história absolver-nos-á».

A um dos primeiros concertos no sul assisti eu com a minha idade jovial de 10 anos, quando os Heróis do Mar foram os cabeças de cartaz de um mini-festival em Monte Gordo, em Agosto de 1985. Lembro-me que aquela ousadia visual da banda e a energia irreverente do vocalista Rui Pregal da Cunha causaram um certo impacto e uma simétrica estupefacção em todos.

O documentário sobre os Heróis do Mar Brava Dança, de Jorge Pires e José Pinheiro, estreou esta semana no circuito comercial dos cinemas.

Posted by Gonçalo Palma at 01:22:59 | Permalink | No Comments »