Friday, July 6, 2007

FESTIVAL SBSR: 2º E 3º DIAS DO ACTO INDIE

                                                                                           Os LCD Soundsystem corresponderam aos pergaminhos de um cabeça-de-cartaz, e foram os senhores da segunda noite. James Murphy ocupa muito bem o seu papel de patrão de banda, não dando folgas físicas aos seus parceiros, mas dando o exemplo, em nome de uma boa causa: um concerto corporal e musicalmente exigente e intenso. A música é um sumário dos anos 80, dos sons mecânicos dos Human League à estrutura rítmica revolucionária dos Gang of Four, mas através de uma filtragem com a assinatura muito pessoal de Murphy, que usa a sua absorção de ouvinte de longa data como ponto de partida para uma exploração mais criativa. James Murphy não parece, mas ele é tudo: criador, intérprete, instrumentista e, também, entertainer.

Os Jesus & Mary Chain são mais um caso de pouca imunidade perante a epidemia da nostalgite que alastra por várias bandas regressadas. O grupo dos irmãos Reid apresenta vários sintomas dessa doença como palidez, uma desvantagem visual e sonora enorme perante o passado e uma notória preguiça criativa presente (incluindo na interpretação dos clássicos). Apesar de tudo isso, o concerto funcionou. O set contínuo denunciava fobia a intervalos (isto é, a banda ter que dizer qualquer coisa), a banda finge não gostar de estar ali (ao mesmo que se sente que eles no fundo adoram tudo aquilo), e Jim parece um cantor de karaoke contrariado que podia ser substituído pelo fã de Jesus mais banal (quando, na verdade, só Jim Reid pode ser Jim Reid porque a aura ainda o cerca). Fazer dos defeitos virtudes tem um nome: estilo. E os Jesus têm-no. A receita de três acordes, que liga Velvet Underground a Sex Pistols e inaugura o conceito indie que hoje conhecemos, continua a ser uma invenção fabulosa que lhes pertence. E que vai sacudindo os deméritos - como aconteceu no SBSR.

Os Mäximo Park oscilam entre o melhor e o pior. Isto é, entre Kinks e James Blunt. Desta intermitência tem que se desconfiar, mas não há dúvida  que o simpático vocalista Paul Smith (com fato vitoriano completo) fartou-se de saltar. Ainda bem para ele.

Os Clap Your Hands Say Yeah embelezaram o final de tarde e revelaram inteligência ao preferirem dar prioridade no alinhamento às música mais geométricas e inocentes do álbum de estreia, de título homónimo, do que aos temas mais sinuosos do também interessantíssimo segundo disco, Some Loud Thunder. O quinteto nova-iorquino é mais fraco na primeira impressão do que na substância. Ou seja, expõem de forma caricatural as suas influências (quase sempre Talking Heads, raramente Bob Dylan). A sua individualidade e romantismo, que os torna numa das bandas pop/rock da actualidade, necessita de maior intimismo e de tempo para os apreender e dar conta da sua existência. 50 minutos foram suficientes para um bom concerto, mais outros 50 e talvez tivéssemos tido uma actuação inesquecível.

Se o segundo dia do acto indie teve um rei nocturno (James Murphy) e os seus LCD Soundsystem, o terceiro dia teve uma rainha diurna: Beth, a vocalista de medidas largas (físicas, vocais, de carisma, em todo o sentido do palco) dos Gossip. Tem garra de Janis Joplin, mas inserida numa banda punk minimalista, socorrida apenas por mais um guitarrista (também baixista) e uma baterista. Que bela prestação de blues-punk!

Os TV on the Radio tiveram duas contrariedades que não conseguiram contrariar: o sol que ainda pairava no céu sem discrição e as condições técnicas de som muito más que abafaram o grande potencial do grupo. Terão sido contrariedades suficientes para provocar um mau concerto? Não, a intensidade da banda não o deixou. A estranheza sonora do grupo (isto é, a pertinência) torna-os difíceis de arrumar nalguma prateleira referencial, e isso é dos melhores elogios que se pode fazer a um artista em qualquer texto crítico que seja.

Depois, o nível baixou. Os Scissor Sisters foram uma festa disco de falsetes na qual não participei. Os Interpol trouxeram as suas variações de Joy Division, em porte atlético mas criativamente muito pouco flexível. Foram mais profissionais do que interessantes.

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Wednesday, July 4, 2007

FESTIVAL SBSR: 1º DIA DO ACTO INDIE

                                                                                      Talvez tenha visto dos Arcade Fire o melhor concerto do ano e no entanto estou a achar isso normal. Não consigo discutir se esta foi uma actuação melhor ou pior que a de Paredes de Coura. A estreia no Minho revelou-se como o início de uma relação amorosa entre a banda e o público português; o concerto de ontem foi a consumação dessa relação, com dados novos: mais canções no reportório e maior duração do concerto, uma cenografia que já não é rudimentar (várias telas com imagens, luzes néon, entre outras coisas) adequada à teatralidade do grupo, melhor som (embora o lado técnico persista como o elo fraco da apresentação ao vivo do grupo), e a voz de Win Butler melhorada.

O concerto, emblemático, foi uma descarga de êxtases e de coros uníssonos que uniram banda e público numa performance com milhares de almas. As canções, já de si maravilhosas (sobretudo as de Funeral), agigantam-se ainda mais em palco - mesmo as músicas de maior contenção de Neon Bible.

O grande impacto visual e sonoro do colectivo e o empenho religioso de cada um dos músicos em cada uma das canções voltaram a deixaram marcas que originaram mais um grande concerto em Portugal.

Numa escala menos transcendente, mas de óptima qualidade, estivem os Magic Numbers. Com um visual hippie e um som devedor das melodias dos Mamas & Papas e da face mais pop dos Jefferson Airplane (via Grace Slick), os Magic Numbers apresentaram óptimas harmonias, com cada um dos quatro músicos a contribuir criativamente para um interessantíssimo puzzle de country-pop.

Na escala do giro, mas lúdico, estiveram, e bem, os Klaxons e os Bloc Party. Os primeiros enfiaram-se pelos anos 80 adentro, com um naipe de canções candidatas a hit (incluindo as menos divulgadas) oriundas do espectro do electro-pop. Os segundos provaram estar acima da sua apetência para um público mais adolescente, com um curioso set de rock musculoso e muito urbano, a que não faltaram alguns números ensaiados de Kele Okereke na arte de incentivar o público.

Contas feitas do que vi, o saldo do primeiro indie é bastante positivo.

Posted by Gonçalo Palma at 15:14:44 | Permalink | No Comments »

Tuesday, July 3, 2007

GRANDES FESTIVAIS: NOTAS PRELIMINARES

                                                                                                O descanso de Verão tem duas concepções filosóficas, ambas legítimas: o do turista e o do viajante. O primeiro prefere a segurança de hábitos rotineiros (se for para a praia) ou de um pacote em que sabe de antemão o que vai fazer exactamente em cada dia (se for em excursão). O segundo dá prioridade à aventura e à surpresa, estando aberto a tudo, incluindo às contingências. O turista, quando parte, já tem as folhas do diário quase todas escritas; no momento de embarque, as folhas do diário do viajante estão quase todas por escrever.

O festival Rock in Rio Lisboa tem um perfil turístico e cumpre-o muito bem. O programa é uma confortável repetição do itinerário da edição anterior para agrado de toda a família.

Os 3 grandes festivais deste Verão (se excluirmos o Oeiras Alive! e o incluirmos na estação pertencente) estão rendidos ao conceito de viajante - que a minha disposição meramente pessoal saúda. Os seus cartazes estão à altura de um público ávido pela descoberta, sempre disponível e atento à novidade, e bem preparado para os altos e baixos que vierem do palco. Ainda que o programa de Paredes de Coura esteja incompleto, estamos diante de três cartazes bastante dignos.

Festival SBSR (Parque Tejo, Lisboa)

03 de Julho

00h00-01h30: Arcade Fire

22h25- 23h40: Bloc Party

21h05-22h05: Magic Numbers

19h45-20h45: Klaxons

18h35-19h25: The Gift

17h30-18h15: Bunnyranch

17h00-17h15: Banda Pre-Load

04 de Julho

00h20-01h35: LCD Soundsystem

22h45-00h00: The Jesus & Mary Chain

21h25-22h25: Maximo Park

20h05- 21h05: The Rapture

18h45-19h45: Clap Your Hands Say Yeah

17h45-18h25: Linda Martini

17h00-17h30: Mundo Cão

05 de Julho

00h45-00h02: Underworld

23h05-00h25: Interpol

21h20-22h35: Scissor Sisters

20h10-21h00: Tv On The Radio

19h05-19h50: The Gossip

18h10-18h50: X-Wife

17h35-17h55: Micro Audio Waves

17h00-17h20: Anselmo Ralph

Festival Sudoeste

2 de Agosto

PALCO TMN

Damian Marley

Editors

Gilberto Gil

Mayra Andrade

I’m from Barcelona

Cassius (After-Hours)

TENDA PLANETA SUDOESTE

Rui Vargas

The Noissetes

Camera Obscura

Ojos de Brujo

3 de Agosto

PALCO TMN

Cypress Hill

The Cinematics

Just Jack

Outlandish

Armandinho

Buraka Som Sistema (After-Hours)

TENDA PLANETA SUDOESTE

Mary Ann Hobbs

Bonde do Rolé

Data Rock

Balla

Os Lambas

Nastio

POSITIVE VIBES

General Levy + Robbo Ranx

Steel Pulse

Soldiers of Jah Army

Manif3stos

4 de Agosto

PALCO TMN

Groove Armada

The Streets

Sam The Kid

Sérgio Godinho

Air Traffic

Australian Pink Floyd (After-Hours)

TENDA PLANETA SUDOESTE

Koop

Patrick Wolf

Sondre Lerche

Sonic Junior

Vanessa da Mata

Tiago Bettencourt

Eta Carinae

POSITIVE VIBES

Sounds Portuguese

Saian Supa Crew

Martin Jondo

Stepacide

5 DE AGOSTO

PALCO TMN

James

Mika

Phoenix

Razorlight

Babylon Circus

TENDA PLANETA SUDOESTE

The National

Of Montreal

Trail Of Dead

Tara Perdida

2008

Rui Vargas

Stereo Addiction

POSITIVE VIBES

Pow Pow Movement

Tiken Jah Fakoly

Yellowman

Alioune K

Festival de Paredes de Coura (os nomes até hoje confirmados)

Dia 12

Devotchka

Dia 13

Mando Diao

Sparta

Blasted Mechanism

Dia 14

Dinosaur Jr.

New York Dolls

Mão Morta

Architecture In Helsinki

Gogol Bordello

Spoon

Dia 15

Sonic Youth

Cansei de Ser Sexy

Sunshine Underground

Electrelane

Nas fotos, de cima para baixo: TV on the Radio, Camera Obscura e Electrelane.

Posted by Gonçalo Palma at 16:24:47 | Permalink | No Comments »