Friday, June 6, 2008

AS MELHORES OBRAS EM DVD

Lista em contagem decrescente, inspirada num trabalho de selecção dos 50 melhores DVDs de música para votação que decorreu no Cotonete.

82º Bob Dylan - The Other Side of the Mirror

Reprodução de todas as actuações de Bob Dylan no Festival de Newport, entre 1963 e 1965.

alt : http://www.youtube.com/v/I0SYCl5NZdM&hl=en

81º Ella Fitzgerald - Live in ‘57 and ‘63 (Jazz Icons)

Apanhado de vários concertos da diva do jazz.

alt : http://www.youtube.com/v/iVu1i0gjXmo&hl=en
PS - Lista pessoal elaborada no dia 20 de Abril de 2008, que inclui DVDs não formatados para a Região Europeia e exclui obras de ficção (exemplos: ‘biopics’ ou musicais).

Posted by Gonçalo Palma at 22:36:41 | Permalink | Comments (3)

Friday, December 21, 2007

EXCITAÇÃO DA SEMANA: BOB DYLAN, «THE OTHER SIDE OF THE MIRROR»

                                       The Other Side of the Mirror - Live at the Newport Folk Festival 1963-65, filmado por Murray Lerner, é um compêndio das três passagens de Bob Dylan por aquele evento, que estava condenado a sair em DVD mais tarde ou mais cedo. Saiu agora, e por isso está condenado também a ser um dos grandes DVDs do ano.

Como se sabe, o Festival Folk de Newport era o grande acontecimento anual que celebrava o revivalismo das raízes da música norte-americana que se vivia então. Lendas como Pete Seeger, Johnny Cash ou Odetta eram vistos por lá, mas o período folk deste festival (que substitui a fase jazz dos anos 50) ganha uma segunda vida quando Bob Dylan, a Voz da Nova Geração, passa a figurar no cartaz daquele célebre acontecimento.

alt : http://www.youtube.com/v/Mulmcgom02s&rel=1

1963, o ano da primeira participação de Dylan no Festival de Newport, foi um momento de revelação - para o músico e para os que o ouviam. A velha guarda e a nova geração encontravam-se e ouviam-se, mas Dylan passa a desequilibrar a balança a seu favor. O programa era clássico: um workshop vespertino espalhado em vários pontos do recinto e uma actuação nocturna no grande palco. As coisas correram tão bem a Dylan que a sua participação naquela edição do festival termina com «Blowin’ In the Wind» cantado em uníssono pelos outros músicos do cartaz (onde constavam a incontornável Joan Baez, o grupo Peter, Paul & Mary e o patrono Pete Seeger).

1964 é o ano da edição da paz podre entre Dylan e os peregrinos de Newport. Todos o aclamavam e elogiavam, todos os músicos tocavam uma canção sua ou lhe pediam que subisse ao palco. E Dylan a todos acudia - e a todos sorria. Lá tocou as suas célebres canções folk (como Mr. Tambourine Man ou Chimes of Freedom) para gáudio dos fãs e colegas - logo, não desapontou. Mas o espírito que ocupava aquele corpo já não era mais o de um jovem prodígio encantado pela inocência de tudo aquilo, mas o de uma estrela.

alt : http://www.youtube.com/v/XRbeUnn-AUA&rel=1

1965 é o ano da traição/progressão/adeus. O filho pródigo do festival tornou-se no seu carrasco. A veneração de massas que o invadiu no workshop acústico da tarde teve qualquer coisa de asfixiante - o momento em que Dylan, após a breve actuação, é apreciado de dentro da carrinha como um boneco de cera pelos rostos de jovens sedentos que esmagavam os vidros da viatura, é muito mais do que um pormenor voyeurista.

E assim o festival fez dele um rei, e assim Dylan retribuiu com um xeque-mate, através daquele set eléctrico da noite do dia seguinte. Maggie’s Farm e Like a Rolling Stone foram tocados em volume alto, com uma banda onde brilhava o exímio guitarrista de blues Mike Bloomfield. E em dez minutos, o muro entre géneros musicais caiu como um castelo de cartas. Afinal, a folk e o rock & roll eram parte do mesmo todo: da música, e da música de Dylan. Os que se desiludiram e o apuparam eram fãs de um só género, os que o aplaudiram provavam ser fãs de Dylan de corpo inteiro.

alt : http://www.youtube.com/v/3FoZUtbd3ng&rel=1

O regresso de Dylan para um encore acústico era fraco consolo e não esquecia os danos do arrasamento eléctrico dos minutos anteriores. Já não havia nada a fazer, a história tinha sido mudada. 
Texto publicado no Cotonete.

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Thursday, October 4, 2007

ORFANATO #13: BOB DYLAN, «BLIND WILLIE McTELL» (1983)

                                                                                  «Nobody can sing the blues like Blind Willie McTell», cantou Bob Dylan no tributo mais tocante que poderia fazer àquela lenda do blues - de tal forma que não se encontra composição de tão bela aura nos seus mais inconsistentes anos 80. A canção foi recuperada do esquecimento para o 3º volume das Bootleg Series (editado em 1991), e mereceu a selecção para a compilação do cantor, The Essential (2001), organizada pela Columbia.

Blind Willie McTell foi mais uma dessas figuras enigmáticas típica dos primórdios dos blues: sem data de nascimento conhecida, sem família estruturada, de infância e adolescência pobre e migrante e com o obstáculo acrescido de ser um invisual. Arrastou talento num percurso musical vadio e errante: de gorjeta em gorjeta nos locais mais imprevisíveis.

Muitos anos depois da sua morte, Blind Willie McTell foi a primeira luz para Dylan ultrapassar a sua crise de meia-idade, e descobrir a serenidade da sua maturidade, com uma voz que apresentava o novo charme das primeiras rugas. Foi também o assomo precoce dessa obra-prima de transcendência eternizada como Time Out of Mind (1997). Demorou longos 14 anos até chegar lá.

Bob Dylan, ao vivo, em 1999…

 

alt : http://www.youtube.com/v/2eAK3X_u2pI

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Monday, April 16, 2007

SABIA QUE BOB DYLAN…?

Sabia que Pete Seeger, lenda da folk americana, tentou interromper o polémico set eléctrico de Bob Dylan no Festival de Newport, em 1965, procurando pegar num machado com o intuito de cortar o cabo eléctrico de ligação ao palco?

Bob Dylan era a grande figura jovem da folk, um génio que estava a participar no renascimento do género, e por isso foi sempre muito acarinhado no Festival de Folk de Newport - pelo público e por músicos mais velhos que Dylan muito admirava como Pete Seeger. Mas ao contrário das passagens pelas duas edições anteriores do evento, Dylan não apareceu só em palco, apenas apoiado por uma guitarra acústica, uma harmónica e, coisa importante, a palavra. Em 1965, Dylan trouxe consigo uma banda de blues-rock (com Michael Bloomfield numa das guitarras) e quebrou com o ritual acústico que preconizou a re-fundação do festival (em substituição da sua vida anterior, dedicada ao jazz).

A prestação, prejudicada pelas más condições de som, dividiu o público em aplausos incondicionais e em apupos - só não houve indiferença.

Pete Seeger foi dos que não gostou e ficou completamente irado. A fúria de Seeger tem duas teorias: os que defendem, como o próprio, que a sua reacção intempestiva se deveu à «poluição sonora» que o impedia de perceber o que Dylan estava a cantar; e os que encontram nos problemas de audição do seu pai, Charles Seeger (tal como o filho, um musicólogo), a explicação para a irritação de Pete. Mas, no plano geral e de forma mais pertinente, os que se sentiram defraudados com o espectáculo de Bob Dylan, viram a sua transgressão como uma traição ao espírito de Newport e à causa folk.

Bob Dylan ainda regressou ao palco para um encore acústico, mas as consequências dos minutos eléctricos anteriores eram irreversíveis, algo de muito mais importante tinha acontecido antes. Já nada seria como dantes - para o Festival de Newport, e para a própria música popular. A música passaria a contar mais que os seus géneros.

«Maggie’s Farm» deu início às hostilidades…

alt : http://www.youtube.com/v/WMxJFsyR85o

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Wednesday, March 21, 2007

VIDEOCLIP COM HISTÓRIA: BOB DYLAN, «SUBTERRANEAN HOMESICK BLUES» (1965)

A espontânea cena de Bob Dylan a legendar a letra de «Subterranean Homesick Blues» com a exibição de placardes tornou-se, sem intenção, no primeiro videoclip pop da história. A situação decorre nas traseiras do Savoy Hotel, em Londres, onde iria estar o poeta beat Allen Ginsberg (importante referência literária para o cantor).

A cena serve, originalmente, de abertura ao famoso documentário de D. A. Pennebaker Don’t Look Back, que aborda a digressão britânica de Bob Dylan em 1965 (imediatamente anterior ao controverso périplo pelas mesmas terras, no ano seguinte). O documentário foi recentemente reeditado em DVD.

alt : http://www.youtube.com/v/2-xIulyVsG8

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