Tuesday, May 29, 2007

JONATHAN RICHMAN JÁ NÃO VEM

Sem grande alarido, ficou a saber-se que o louco trovador Jonathan Richman vinha a Portugal, para um concerto no Santiago Alquimista, em Lisboa, agendado para amanhã.

Sem grande alarido, ficou a saber-se que, afinal, o ex-Modern Lovers já não vem - pessoalmente, descobri a informação no blogue Juramento Sem Bandeira, do caríssimo «vizinho» Vítor Junqueira.

Só haveria uma maneira de não acontecer uma algazarra surrealista naquela sala lisboeta: não vindo Jonathan Richman. Pode ser que alguém o encontre a espantar turistas desinformados nalgum bar veraneante de alguma ilha grega, com as suas canções poliglotas. Ou a animar as ruas de uma qualquer cidade da Europa central, a troco de poucas moedas. É tipo para isso.

Confesso que aliviei a minha cabeça de um dilema terrível, a velha guerra entre carteira e afectos musicais foi poupada de mais uma batalha. Vou continuar a conformar-me com os seus belos discos - o ainda último Not So Much to Be Loved As to Love é, por exemplo, um regalo tal como os demais.

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Wednesday, May 23, 2007

FESTIVAL MÚSICAS DO MUNDO DE SINES 2007

                                                                                        A força do cartaz do 9º FMM de Sines, a decorrer entre os dias 20 e 28 de Julho, torna inútil qualquer divagação em forma de prosa. O programa é este:

DIA 20 (Porto Côvo) - Galandum Galundaina (Portugal), Darko Rundek & Cargo Orkestar (Croácia/França) e Etran Finatawa (Níger).

DIA 21 (Porto Côvo) - Don Byron a interpretar Junior Walker (Estados Unidos), Mamani Keita & Nicolas Repac (Mali/França) e Deti Picasso (Rússia/Arménia).

DIA 22 (Porto Côvo) - Djabe (Hungria), Rão Kyao & Karl Seglem (Portugal/Noruega) e Haydamaky (Ucrânia).

DIA 23 (Centro de Artes de Sines) - Marcel Kanche (França) e Ttukunak (Espanha, País Basco).

DIA 24 (Centro de Artes de Sines) - Lula Pena (Portugal) e Jacky Molard Acustic Quartet (Bretanha, França).

DIA 25, Castelo de Sines - Trilok Gurtu & Arkè String Quartet  (Índia/Itália), Bellowhead (Reino Unido) e Kasaï Allstars (Rep. Dem. Congo).

Av. Praia, Sines - Oki Dub Ainu Band (Japão).

DIA 26, Castelo de Sines - Carlos Bica & Azul (Portugal), Tartit (Mali), Mahmoud Ahmed (Etiópia) e Bitty McLean.

Av. Praia, Sines - Harry Manx (Canadá), Sly & Robbie (Reino Unido/Jamaica).

DIA 27, Castelo de Sines - Hamilton de Holanda Quinteto (Brasil), World Saxophone Quartet (Estados Unidos) e Rachid Taha (Argélia).

Av. Praia, Sines - Aronas (Nova Zelândia/Austrália), La Etruria Criminale Banda (Itália).

DIA 28, Castelo de Sines - Erika Stucky (Suíça/EUA), K’Naan (Somália) e Gogol Bordello (Estados Unidos/Ucrânia).

Av. Praia, Sines - Norkst (Bretanha, França) e Señor Coconut (Chile/Alemanha).

Fotografias, de cima para baixo: Bellowhead, Sly & Robbie e Gogol Bordello.

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Thursday, May 10, 2007

PRIMAVERA SOUND 2007

Como argumentar contra um céptico saudoso da música de outros tempos? Nesta altura é muito simples: deve-se aconselhá-lo a percorrer 1200 quilómetros de alcatrão, em direcção ao Primavera Sound, em Barcelona, cuja a acção principal decorre entre os dias 31 de Maio e 2 Junho.

Músicos de várias idades e experiências reúnem-se naquele maravilhoso evento, partilhando quase todos a mesma qualidade: a valia presente. Há música nova dos novos e música nova dos velhos (mesmo aquela que já existe há décadas). Aproveitem ou invejem. O irresistível cartaz, de que fazem parte os X-Wife, é, parcialmente, este:

31 de Maio - The Smashing Pumpkins, The White Stripes (na foto), Slint (que tocam o álbum Spiderland), Melvins (que tocam o álbum Houdini), Dirty Three (que tocam o álbum Ocean Songs), Explosions In The Sky, Herman Düne, Fennesz & Mike Patton, Comets On Fire (que tocam o álbum Blue Cathedral), Justice, Girl Talk, Fujiya & Miyagi, Bola, Ghouls´n´Ghosts, Parenthetical Girls, Alexander Tucker, Veracruz, Za, The Light Brigade, Anticonceptivas.

Uma recomendação: Slint

alt : http://www.youtube.com/v/sIy4KsWq-FA

1 de Junho - The Fall, Maxïmo Park, Los Planetas, Spiritualized (concerto acústico), Modest Mouse, Built To Spill, Billy Bragg (na foto), Blonde Redhead, Band Of Horses, Low, The Rakes, Barry Adamson, Girls Against Boys, Beirut, Portastatic, Sr. Chinarro, Black Lips, Hot Chip, Black Mountain, David Thomas Broughton, Mus, Jay Reatard, Brightblack Morning Light, Death Vessel, Half Foot Outside, Ginferno, X-Wife, Plastic D´Amour, Chromeo, Errors, Evripidis And His Tragedies, One-Two, People Are Germs, AA Tigre, How Dare You!

Uma recomendação: Brightblack Morning Light

alt : http://www.youtube.com/v/Uxz8uucCz2o

2 de Junho - Wilco, Sonic Youth (que tocam o álbum Daydream Nation), Patti Smith, The Good The, Bad & The Queen (na foto), Buzzcocks, Jonathan Richman, Isis, Robyn Hitchcock, The Long Blondes, Architecture In Helsinki, Pelican, Múm, Shannon Wright, Ted Leo & The Pharmacists, Klaxons, The Durutti Column, Standstill, The Apples In Stereo, Battles, Lisabö, Kimya Dawson, Matt Elliott & his orchestra, Grupo De Expertos Solynieve, Grizzly Bear, Oakley Hall, Shitdisco, Thee Earls, Ovni, Raülmoya y el Trío Miniña, Koacha, Peluze, 6PM, Man Like Me, Le Pianc.

Uma recomendação: Jonathan Richman

alt : http://www.youtube.com/v/pj-UxE_uDh8

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Friday, May 4, 2007

CONCERTOS: O PONTO DA INTERESSANTE SITUAÇÃO

As notícias de concertos apelativos já estão num ponto de engarrafamento - o que é muito interessante, mas cria sérios dilemas para quem não tem uma carteira elástica.

É melhor fazer outro levantamento parcial da agenda de concertos.

4 de Maio - Tarwater, Theatro Circo, Braga.

4 de Maio - Ute Lemper, Casa da Música, Porto.

4 de Maio - White Magic, Maxime, Lisboa.

5 de Maio - James Blackshaw + Rita Braga, Galeria Zé dos Bois [ZdB], Lisboa.

5 de Maio - Ute Lemper, Teatro das Figuras, Faro.

5 de Maio - White Magic, Theatro Circo, Braga.

6 de Maio - Ute Lemper, Centro Cultural de Belém [CCB], Lisboa.

8 de Maio - Jana Hunter + Tara Jane O’Neil, ZdB, Lisboa,

8 de Maio - James Blackshaw, Tertúlia Castelense, Maia.

11 de Maio - Charalambides + Okkyung Lee & Manuel Mota, ZdB, Lisboa.

11 e 12 de Maio - Mão Morta apresentam Maldoror, Theatro Circo, Braga.

11 de Maio - Pop dell’Arte, Lux, Lisboa.

12 de Maio - George Michael, Estádio Cidade de Coimbra.

13 de Maio - Charamlambides, ZdB, Lisboa.

16 de Maio - The Who, Pavilhão Atlântico, Lisboa.

17 de Maio - Dead Combo & Vasco Gato, Teatro do Campo Alegre, Porto.

17 de Maio - JP Simões, ZdB, Lisboa.

18 de Maio - Bloc Party, Coliseu dos Recreios, Lisboa.

18 e 19 de Maio - Mão Morta apresentam Maldoror, CAE, Portalegre.

19 de Maio - Creamfields (Prodigy, Placebo, Da Weasel, Spektrum, Soulwax, Slightly Stoopid, Expensive Soul), Parque da Belavista, Lisboa.

23 de maio - Kronos Quartet, CAE, Portalegre.

25 de Maio - Balla, Casa da Música, Porto.

25 de Maio -  Tetuzi Akiyama, Hervé Boghossian ZdB, Lisboa.

26 de Maio - Perry Blake, Theatro Circo, Braga.

26 de Maio - Lila Downs, CC Vila Flor, Guimarães.

30 de Maio - Andrew Bird, Teatro Académico Gil Vicente, Coimbra.

31 de Maio - Andrew Bird, Cinema São Jorge, Lisboa.

1 de Junho - Andrew Bird, Theatro Circo, Braga.

2 de Junho - Carlos Bica Trio, CC Vila Flor, Guimarães.

2 de Junho - Dirty Three, Lux, Lisboa.

2 de Junho - Low, Santiago Alquimista, Lisboa.

8 de Junho - Festival Alive (Pearl Jam, Linkin Park, Blasted Mechanism, The Used, The Sounds, The Rakes e Unkle Bob), Passeio Marítimo de Algés, Algés.

9 de Junho - Festival Alive (White Stripes, Smashing Pumpkins, The Go! Team, Plastica, Dapunksportif e Dezperados), Passeio Marítimo de Algés, Algés.

10 de Junho - Festival Alive [Beastie Boys, Matisyahu, Da Weasel, Sam The Kid, Buraka Som Sistema, The (International) Noise Conspiracy, Wray Gunn e Vicious Five], Passeio Marítimo de Algés, Algés.

11 de Junho - Beastie Boys (concerto instrumental), Aula Magna, Lisboa.

14 de Junho - Rashiim Ausar Sahu + Ibrahim Galissa, CCB, Lisboa.

15 de Junho - Cordel do Fogo Encantado, Viseu.

23 de Junho - Philip Glass, CCB, Lisboa.

25 de Junho - Rolling Stones, Estádio de Alvalade, Lisboa.

28 de Junho - África Festival (Mayra Andrade, Músicos do Nilo), Jardins de Belém, Lisboa.

28 de Junho - Festival SBSR, (Metallica, Mastodon), Parque Tejo, Lisboa.

29 de Junho - África Festival (paulo flores, Kouyate & Ngoni Ba, Bassekou), Jardins de Belém, Lisboa.

30 de Junho - África Festival (Sally Nyolo, Baaba Maal), Jardins de Belém, Lisboa.

30 de Junho - Gaiteiros de Lisboa, CCB, Lisboa.

3 de Julho - Festival SBSR (Arcade Fire, Bloc Party, Klaxons, The Magic Numbers, The Gift, Bunnyranch), Parque Tejo, Lisboa.

3 de Julho - Maria Bethânia, Coliseu, Porto.

4 de Julho - Festival SBSR (The Jesus & Mary Chain, LCD Soundsystem, Maxïmo Park, The Rapture, Clap Your Hands Say Yeah, Linda Martini, Mundo Cão), Parque Tejo, Lisboa.

5 de Julho - Festival SBSR (Underworld, Interpol, Scissor Sisters, X-Wife), Parque Tejo, Lisboa.

5 e 6 de Julho - Maria Bethânia, Coliseu dos Recreios, Lisboa.

6 de Julho - Rabih Abouh-Khalil, Teatro São Luiz, Lisboa.

7 de Julho - Dave Holland Quintet, Parque Palmela, Cascais.

7 de Julho - Lydia Lunch, CAE, Portalegre.

7 de Julho - Pat Metheny + Brad Mehldau Trio, Coliseu, Porto.

7 de Julho - Rabih Abouh-Khalil, Teatro São Luiz, Lisboa.

8 de Julho - Pat Metheny + Brad Mehldau Trio, Aula Magna, Lisboa.

11 de Julho - Mudhoney + d3ö, Paradise Garage, Lisboa.

13 de Julho - Laurie Anderson, Theatro Circo, Braga.

15 de Julho - Laurie Anderson, Culturgest, Lisboa.

18 de Julho - Arctic Monkeys, Coliseu dos Recreios, Lisboa.

20 a 28 de Julho - FMM Sines, Porto Covo e Sines.

20 a 22 de Julho - Festival Vilar de Mouros (Brian Wilson, The Gift, Marky Ramone).

2 a 5 de Agosto - Festival Sudoeste (Patrick Wolf, Camera Obscura, Mika, The Streets, Noisettes, Cypress Hill, Cassius, Koop, Mayra Andrade, Bonde do Rolê, Steel Pulse), Zambujeira do Mar.

3 e 4 de Agosto - Intercéltico de Sendim (Dazkarieh, Kepa Junkera, Trasga, Tradede, Solas, Four Man and a Dog).

12 a 15 de Agosto - Festival de Paredes de Coura (Sonic Youth, New York Dolls, Cansei de Ser Sexy, Gogol Bordello

14 e 15 de Agosto - Surf Fest (Lily Allen), Praia do Tonel, Sagres.

Vinda confirmada mas sem data definida - The Police, no Estádio Cidade de Coimbra ou no Estádio de Alvalade (em Lisboa).

Nas fotos, de cima para baixo: Matisyahu, Dirty Three e The Police.

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Thursday, May 3, 2007

JOANNA NEWSOM: CONTOS E (EN)CANTOS DE FADA NA AULA MAGNA

A bela e frágil Joanna Newsom deixou ontem uma imagem de transcendência na Aula Magna da Cidade Universitária de Lisboa. Do imaginário mitológico das suas canções para a realidade, bastou a sua voz de sereia e as suas mãos mágicas de fada que beliscavam as cordas da sua harpa e provocavam, com a ajuda do seu músico do bandolim (e por vezes do banjo), uma utopia irreal de uma folk tão espalhada pelo tempo que aquela música poderia ser tocada para uma corte do século XVIII. 

Enquanto Joanna Newsom, qual potencial protegida que apaixona um rei absolutista, vai enamorando ouvidos longínquos no seu canto cristalino, a sua Ys Street Band (um trocadilho com a E Street Band de Bruce Springsteen) - um bandolinista, uma violinista e um baterista - confere à sua música uma dimensão mais real e plebeia que alarga o âmbito artístico da coisa para a western-folk.

Da estrutura musical hercúlea das canções de Ys (2006) à maior brevidade de temas circundantes (incluindo «Colleen» do EP mais recente Joanna Newsom & the Ys Street Band), a magia de Newsom não deu tréguas.

Antes, brilhou o escocês Alasdair Roberts, fiel ao papel solitário de cantautor que tem a guitarra como único escudo. Também sob desígnios líricos ancestrais, mas centrados na sua Escócia e na vizinha Irlanda, Roberts cantou fados, mas em folk puramente britânica.

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Tuesday, April 24, 2007

«MALDOROR»: O REGRESSO DOS MÃO MORTA AO TEATRO

Depois da experiência de boa memória dos Mão Morta no espectáculo músico-teatral Müller no Hotel Hessischer Hof, há precisamente dez anos, os Mão Morta apresentam Maldoror, no Theatro Circo, em Braga, nos dias 11 e 12 de Maio.

O espectáculo é inspirado na obra Os Cantos de Maldoror, de Isidore Ducasse (escrita sob o pseudónimo de Conde de Lautréamont), e conta com um eixo criativo substancialmente mais forte que o trabalho em palco de Müller no Hotel Hessischer Hof. No apoio à interligação da música com imagem e representação teatral estarão o encenador António Durães, o cenógrafo Pedro Tudela e, além de outros, o videasta Nuno Tudela. As luzes estarão concentradas sobre os Mão Morta. 

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Thursday, April 19, 2007

YOUNG MARBLE GIANTS REGRESSAM!

Difícil de acreditar: mais de 27 anos depois da edição do seu álbum único, Colossal Youth, os Young Marble Giants vão regressar para um concerto a 27 de Maio, no bucólico Hay Festival, no País de Gales - nação britânica de onde são originários.

A obra-prima do trio - formado pela vocalista Alison Statton e pelos irmãos Stuart (na guitarra e órgão) e Philip Moxham (no baixo) - é agora reeditada.

New wave, pop inocente, música doméstica são alguns termos que poderão melhor enquadrar a mítica banda.

O que se seguirá? O regresso dos Smiths?

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Friday, April 13, 2007

2007: ANO DE CONCERTOS E NÃO DE GRANDES DISCOS?

                                                                                                             A concorrência faz bem. Com o surgimento da ambiciosa produtora de espectáculos Everything Is New (de Álvaro Covões, ex-sócio da Música no Coração), alguns dos grandes agentes envolvidos voltaram a arriscar em novos nomes e a agenda de concertos para este ano está já muito estimulante. O ritmo de notícias estrondosas está elevado. Todos os dias reservam-nos, pelo menos, uma surpresa. E há de tudo, para todos os gostos, White Stripes no Festival Alive, Rolling Stones no Estádio de Alvalade, Lily Allen em Sagres (para o Festival Super Bock Surf Fest), Mudhoney no Paradise Garage, Aimee Mann no Coliseu dos Recreios, amanhã logo se verá quem virá. E há que contar com as futuras novidades do Festival de Paredes de Coura (as Cansei de Ser Sexy estão já confirmadas) ou com o outonal e íntimo Festival para Gente Sentada - ou, se calhar, com um renascido e mais coerente Festival Sudoeste. Na música do mundo, também não faltarão motivos de interesse, desde o África Festival (que ocorre este ano junto à Torre de Belém) ao Festival de Sines. Antes assim, embora o cancelamento recente do concerto dos !!!, marcado para o Coliseu, seja um sério aviso quanto à previsível incapacidade da procura perante tamanha oferta. Desta vez, ninguém merece a fava do bolo-rei.

Bem mais decepcionante tem andado o ano no que respeita a discos. Estranhamente para quem ouve discos novos a um ritmo frenético, ainda não ouvi um que achasse arrebatador - e já estamos em Abril.

Não faltaram nomes sonantes: o novo projecto de Damon Albarn (The Good The Bad & The Queen), a nova banda de Nick Cave (The Grinderman) ou o novo álbum dos Arcade Fire. Gostei do que ouvi, mas esperava um pouco mais. Eram três casos com ajustadas expectativas, maiores do que os seus efeitos práticos.

Houve outros discos merecedores de louvores. Kristin Hersh está em excelente forma, Laura Veirs reganhou a força de outrora, e, ao contrário da opinião maioritária, fiquei completamente convencido com o desvio de personalidade dos Clap Your Hands Say Yeah… A grande surpresa foi talvez portuguesa: o álbum de estreia a solo de JP Simões (com 1970).

Aguarda-se que a lista de honra de 2007 se atafulhe mais em obras comoventes. Por enquanto, está demasiado espaçada.

2006 foi um ano fértil em grandes discos e revelações, como nenhum outro desta década.

Será que as grandes atribulações que 2007 nos reserva virão muito mais do palco? Ou terão maior companhia do leitor de CDs?

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Friday, April 6, 2007

FELIZ PÁSCOA COM JC

Na impossibilidade de se arranjar a série televisiva Jesus de Nazaré, decerto mais condizente com a época da Páscoa, procurámos outro JC à pressa.

Ele não faz propriamente milagres, é mais mundano. Mas safa-se bem na lavagem e limpeza da loiça, o que já não é mau. Quanto à sua incapacidade de transformar água em vinho, lamentamos profundamente.

Apesar de inglês, não se chama Brian (o tal do Monty Python). Ele é um verdadeiro JC! Vem de Sheffield e é um romântico. Talvez seja um pouco perverso, e demasiado pecaminoso, mas ele é o nosso JC e temos muito orgulho nele.

Tenham uma boa Páscoa! E não se esqueçam de lavar a loiça.

Para os infiéis, este JC chama-se Jarvis Cocker e é aqui visto ao serviço dos Pulp, por quem pregou a sua palavra durante mais de vinte anos. No ‘petit’ ecrã, canta «Dishes».

alt : http://www.youtube.com/v/GCMprkIdPV4

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Thursday, April 5, 2007

CSS E TILLY & THE WALL: URGÊNCIA DE VIVER, NO LUX

Sem ter um feitio embirrante para com os gostos da maioria, apenas um gosto pessoal que deriva circunstancialmente e sem intenção para um ângulo mais específico, devo escrever que estive ontem no Lux para ver os Tilly & The Wall, a desconhecida banda da primeira parte. Os brasileiros Cansei de Ser Sexy, ao rubro com o seu álbum homónimo, eram para mim um complemento, um mui agradável complemento (e foram!).

Atrevo-me a acrescentar que essa minha preferência (talvez a única da sala, e, admitamos, sem orgulho pessoal) foi confirmada pela noite de ontem - na segunda e última jornada lisboeta da digressão colectiva. A originalidade da noite pertenceu-lhes. Não é qualquer projecto que me faz imaginar termos de definição como folk-disco, rancho folclórico indie ou conexão entre as Doce e as Be Good Tanyas. Os Tilly & The Wall estimularam-me no Lux essas designações.

A técnica peculiar deste quinteto norte-americano entretém bastante: o acompanhamento percussivo é feito pela amplificação do sapateado das três garotas da banda (cantam e dançam, uma delas toca), com os dois rapazolas nas margens, ao serviço da guitarra acústica e dos teclados. Mas, para lá do folclore, o que sustenta a força da actuação do grupo é, acima de tudo, a qualidade da maioria das canções e das suas harmonias vocais. O alinhamento, que agrupou muitas das melhores músicas dos dois álbuns do grupo (Wolf Like Children e Bottoms of Barrels), ajudou muito.

As Cansei de Ser Sexy, diante de um público jovem venerador, incendiaram ainda mais os entusiasmos. A combinação de rock riot grrrl com electro-pop é explosiva e a cumplicidade entre sexteto e público unida pela língua portuguesa facilitou muito. O jeito natural da vocalista Lovefoxxx para estas coisas do palco, deixando subir à superfície o seu lado felino selvagem, é o factor decisivo que o aparato rebelde dos CSS necessita.

Mas, musicalmente, quem deixaram mais pontas por onde pegar foram os Tilly & The Wall. Terei sido eu o único a sair do Lux com esta sensação?

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