Sunday, April 13, 2008

A HISTÓRIA VEM AÍ

                                                                                                     Começa a ser uma fartura. Em Lisboa, Porto e arredores. A história da música popular invade Portugal nos próximos tempos. Leonard Cohen, Bob Dylan, Neil Young, Lou Reed, B-52’s, Young Marble Giants, Nick Cave, Einstürzende Neubauten, Meredith Monk, Duran Duran, documentários no IndieLisboa sobre Joe Strummer, Joy Division, Scott Walker ou Patti Smith, um filme-concerto dos Rolling Stones dirigido por Martin Scorsese. Há de tudo, de repetentes a estreantes, para muitos gostos e formatos.

Led Zeppelin em cima de um palco português?

Para quando Tom Waits? Nem numa temporada destas?

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Thursday, January 17, 2008

NICK CAVE: BOM PRENÚNCIO

                                                                                       Eis a primeira amostra de Dig, Lazarus, Dig!!!: o vídeo oficial do tema-título do próximo álbum de Nick Cave & The Bad Seeds (que sai a 3 de Março). Promete.

alt : http://www.youtube.com/v/7kV5XkBQsKU&rel=1

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Tuesday, January 8, 2008

A NÃO PERDER, MICHAEL GIRA

Lisboa, Galeria Zé dos Bois, 25 de Fevereiro.

Músico acompanhante: Fabrizio Palumbo (da banda de rock experimental italiana Larsen).
 

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Monday, December 3, 2007

ANTÓNIO SÉRGIO: O RADAR DEVOLVIDO AO MESTRE A PARTIR DE HOJE

97.8: passa a ser aqui a residência dessa enigmática e monstruosa voz que identificamos imediatamente como sendo a de António Sérgio: a partir de hoje, entre segunda e sexta, entre as 23h00 e a 1h00. O novo habitat do grande radialista é, muito ajustadamente, a Rádio Radar. O seu programa principal intitula-se Viriato 25.

O radar radiofónico das transgressões sonoras reencontra um dos seus sábios mestres. Agora, há que refugiar no quentinho lar ou no frágil automóvel porque o «Lobo» vai voltar a ser ouvido do seu abrigo eremita.

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Tuesday, October 30, 2007

PATTI SMITH: 7 RAZÕES PARA A CHAMARMOS DE GRANDE

Vivo ainda, como outras 3 mil pessoas, a ressaca de uma noite memorável de domingo no Coliseu dos Recreios por culpa de Patti Smith. Sem dúvida um dos concertos da minha vida.

Ultrapassado a custo o pasmo, e escusando-me a fazer uma descrição minuciosa de uma actuação com demasiadas incidências para isso, destaco 7 situações que muito dizem sobre a dimensão da senhora, numa ordem cronológica grosseira.

Momento 1 - Lenny Kaye, o seu guitarrista de há muito, tem os seus minutos de protagonismo vocal. Patti Smith ultrapassa o grande palco e começa a dançar sozinha junto das filas da frente. Dança freneticamente e bem com a garra de uma miúda de 16 anos. A multidão entusiasma-se e levanta-se. E consegue acompanhá-la. Patti Smith estava a declarar-se uma fã daquela banda com quem tocava. Àquilo chama-se de camaradagem. Foi bonito.

Momento 2 - Patti Smith nunca esquece os amigos. Nunca. Homenageia-os com palavras de um calor humano que nunca se esgota porque a alma de Patti é um poço que não tem fundo. Como aconteceu com Tom Verlaine (o líder dos Television) e o mítico bar nova-iorquino CBGB antes de tocar a velhinha canção «We Three». Os grandes momentos e as grandes bandas com quem Patti Smith se cruzou contarão com o agradecimento perpétuo.

Momento 3 - a força brutal da ode poética de Patti Smith a Kurt Cobain dirigido aos céus, na parte final de uma versão arrasadora de «Smells Like Teen Spirit», a música charneira dos Nirvana. Fiquei boquiaberto.

Momento 4 - a plateia do Coliseu estava composta por cadeiras, como que preparada para alguma ópera. O espectador que se sensibilizasse mais e se levantasse para prestar tributo à grandeza do que ouvia, era de imediato convidado a sentar-se por um empregado de fato e gravata mais zeloso. Típico. Normal. Mas estávamos num concerto de Patti Smith e fronteiras (limitações, timidez, vergonha) não são muito com ela. Abandona uma das músicas a meio - «Dancing Barefoot» -, a banda é obrigada a inventar uma fase instrumental mais prolongada, e aquela mulher magra de cabelos grisalhos percorre sozinha todos os corredores da plateia, acena e cumprimenta todos os espectadores e, debaixo das luzes altas do Coliseu, levanta toda uma sala que nunca mais fica no lugar.

alt : http://www.youtube.com/v/G0Oc9woifEs&rel=1

Momento 5 - a conjuntura é esta: uma sociedade cada vez mais medrosa e oligárquica que engole silenciosamente o crescimento de desigualdades. Cada vez menos direitos e menos liberdades. E um poder de dissuasão terrível: o desemprego ou a sua ameaça. Por isso, o discurso de Patti Smith anti-«Starbucks» e contra as grandes corporações que dela ouvimos no domingo tem um impacto muito maior hoje do que em 1975, quando se revelou ao mundo com a sua obra-prima Horses. Aquilo que ela diz não é poesia, é a verdade. É por isso que Patti Smith não perde a sua importância e renova o seu público (como se viu no Coliseu): porque é destemida. O seu discurso não está sustentado em vacuidades porque é demasiado realista.

Momento 6 - «Gloria»! Eu no balcão lateral, os que me rodeavam e todos os outros já não só estávamos de pé, já não só dançávamos. Pulávamos, num estado anímico alterado pelo encadeamento do crescendo daquela música, de outras que se ouviram e que se iriam ouvir («Because the Night», «Ghost Dance», «People Have the Power», «Rock N Roll Nigger»). Patti Smith é uma das poucas que pode sempre puxar mais um bocadinho por uma música, sabe abusar dela dando-nos vontade de que ela não acabe. A glória do momento pode sempre subir um bocadinho mais alto. A seguir a um pico alto, pode-se galgar para um pico ainda maior… E Patti Smith novamente de punhos erguidos. 

Momento 7 - Patti Smith pega no seu casaco e lança-o sobre as costas, despedindo-se de um público que sente ser seu compatriota espiritual (como disse noutro discurso sentido). É um momento ad eternum aquele: com aquele ar cuidadamente descuidado - figura esguia de ar atraentemente assexuado, cabelos desgrenhados, t-shirt simples, calças jeans, botas e o casaquinho à mão - que sobrevive tão fresco e carismático quanto a sua música. Até à próxima.

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Friday, July 20, 2007

FMM DE SINES COMEÇA HOJE

                                                                           Eis uma excelente sugestão de férias na costa alentejana que junta, numa conciliação idílica, maravilhosas praias (de dia) à excelente música (de noite). Talvez ainda possam ir a tempo.

Relembre-se o programa:

DIA 20 (Porto Côvo) - Galandum Galundaina (Portugal), Darko Rundek & Cargo Orkestar (Croácia/França) e Etran Finatawa (Níger).

DIA 21 (Porto Côvo) - Don Byron a interpretar Junior Walker (Estados Unidos), Mamani Keita & Nicolas Repac (Mali/França) e Deti Picasso (Rússia/Arménia).

DIA 22 (Porto Côvo) - Djabe (Hungria), Rão Kyao & Karl Seglem (Portugal/Noruega) e Haydamaky (Ucrânia).

DIA 23 (Centro de Artes de Sines) - Marcel Kanche (França) e Ttukunak (Espanha, País Basco).

DIA 24 (Centro de Artes de Sines) - Lula Pena (Portugal) e Jacky Molard Acustic Quartet (Bretanha, França).

DIA 25, Castelo de Sines - Trilok Gurtu & Arkè String Quartet  (Índia/Itália), Bellowhead (Reino Unido) e Kasaï Allstars (Rep. Dem. Congo).

Av. Praia, Sines - Oki Dub Ainu Band (Japão), António Pires & Gonçalo Frota (DJ set).

DIA 26, Castelo de Sines - Carlos Bica & Azul (Portugal), Tartit (Mali), Mahmoud Ahmed (Etiópia) e Bitty McLean.

Av. Praia, Sines - Harry Manx (Canadá), Bitty McLean (Inglaterra), Raquel Bulha & Álvaro Costa (DJ set).

DIA 27, Castelo de Sines - Hamilton de Holanda Quinteto (Brasil), World Saxophone Quartet (Estados Unidos) e Rachid Taha (Argélia).

Av. Praia, Sines - Aronas (Nova Zelândia/Austrália), La Etruria Criminale Banda (Itália), DJ Mankala & Freestylaz (DJ set).

DIA 28, Castelo de Sines - Erika Stucky (Suíça/EUA), K’Naan (Somália) e Gogol Bordello (Estados Unidos/Ucrânia).

Av. Praia, Sines - Norkst (Bretanha, França), Señor Coconut (Chile/Alemanha) e Bailarico Sofisticado (DJ set). 

Na foto, La Etruria Criminale Banda (de Itália).

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Wednesday, July 18, 2007

UNCUT: ENTÃO, PARABÉNS ATRASADOS

Compro-a com um entusiasmo de criança. Devoro-a, mesmo discordando. Poupo muito poucas páginas à voracidade dos meus dedos - quase sempre as da secção de cinema que considero o seu calcanhar de Aquiles (e o reflexo britânico de uma visão cinéfila muito curta do planeta, afunilada aos antigos países do Império e completamente submissa perante o domínio despótico dos Estados Unidos, como se nada mais se passasse à volta).

Há umas boas horas passei-me orgulhoso com a fresquinha edição comemorativa do 10º aniversário da sapiente revista (que começou a ser publicada em Maio de 1997): uma capa de cartão a abrigar a publicação, o obrigatório CD (este inspirado no programa de rádio que Bob Dylan apresenta, Theme Time Radio Hour, na americana XM Radio) e um compêndio de factos e considerações musicais. Não falta sequer uma página inteira dedicada ao guru da imprensa musical que ergueu a Uncut: Allan Jones, o equivalente de John Peel mas ao serviço das letras, ou como a existência de um homem, com a sua generosidade e paixão na escrita, torna a vida dos outros um bocadinho mais interessante, mesmo que à distância de milhares de quilómetros.

Nos conteúdos a vitalidade do costume: testemunhos históricos fantásticos presos ao mesmo agrupamento de folhas onde brilham críticas de divulgação dos novos sons, e a mesma utilidade da revista tanto para acompanhar um café à pressa (enquanto se lê um rubrica com piada) como para ser colocada junto à mesa de cabeceira (e ler um artigo histórico mais aprofundado).

É agradável saber de vez em quando que há instituições de referência com uma idade jovial como aquela. Ainda por cima, têm concorrência à altura.

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Tuesday, July 3, 2007

GRANDES FESTIVAIS: NOTAS PRELIMINARES

                                                                                                O descanso de Verão tem duas concepções filosóficas, ambas legítimas: o do turista e o do viajante. O primeiro prefere a segurança de hábitos rotineiros (se for para a praia) ou de um pacote em que sabe de antemão o que vai fazer exactamente em cada dia (se for em excursão). O segundo dá prioridade à aventura e à surpresa, estando aberto a tudo, incluindo às contingências. O turista, quando parte, já tem as folhas do diário quase todas escritas; no momento de embarque, as folhas do diário do viajante estão quase todas por escrever.

O festival Rock in Rio Lisboa tem um perfil turístico e cumpre-o muito bem. O programa é uma confortável repetição do itinerário da edição anterior para agrado de toda a família.

Os 3 grandes festivais deste Verão (se excluirmos o Oeiras Alive! e o incluirmos na estação pertencente) estão rendidos ao conceito de viajante - que a minha disposição meramente pessoal saúda. Os seus cartazes estão à altura de um público ávido pela descoberta, sempre disponível e atento à novidade, e bem preparado para os altos e baixos que vierem do palco. Ainda que o programa de Paredes de Coura esteja incompleto, estamos diante de três cartazes bastante dignos.

Festival SBSR (Parque Tejo, Lisboa)

03 de Julho

00h00-01h30: Arcade Fire

22h25- 23h40: Bloc Party

21h05-22h05: Magic Numbers

19h45-20h45: Klaxons

18h35-19h25: The Gift

17h30-18h15: Bunnyranch

17h00-17h15: Banda Pre-Load

04 de Julho

00h20-01h35: LCD Soundsystem

22h45-00h00: The Jesus & Mary Chain

21h25-22h25: Maximo Park

20h05- 21h05: The Rapture

18h45-19h45: Clap Your Hands Say Yeah

17h45-18h25: Linda Martini

17h00-17h30: Mundo Cão

05 de Julho

00h45-00h02: Underworld

23h05-00h25: Interpol

21h20-22h35: Scissor Sisters

20h10-21h00: Tv On The Radio

19h05-19h50: The Gossip

18h10-18h50: X-Wife

17h35-17h55: Micro Audio Waves

17h00-17h20: Anselmo Ralph

Festival Sudoeste

2 de Agosto

PALCO TMN

Damian Marley

Editors

Gilberto Gil

Mayra Andrade

I’m from Barcelona

Cassius (After-Hours)

TENDA PLANETA SUDOESTE

Rui Vargas

The Noissetes

Camera Obscura

Ojos de Brujo

3 de Agosto

PALCO TMN

Cypress Hill

The Cinematics

Just Jack

Outlandish

Armandinho

Buraka Som Sistema (After-Hours)

TENDA PLANETA SUDOESTE

Mary Ann Hobbs

Bonde do Rolé

Data Rock

Balla

Os Lambas

Nastio

POSITIVE VIBES

General Levy + Robbo Ranx

Steel Pulse

Soldiers of Jah Army

Manif3stos

4 de Agosto

PALCO TMN

Groove Armada

The Streets

Sam The Kid

Sérgio Godinho

Air Traffic

Australian Pink Floyd (After-Hours)

TENDA PLANETA SUDOESTE

Koop

Patrick Wolf

Sondre Lerche

Sonic Junior

Vanessa da Mata

Tiago Bettencourt

Eta Carinae

POSITIVE VIBES

Sounds Portuguese

Saian Supa Crew

Martin Jondo

Stepacide

5 DE AGOSTO

PALCO TMN

James

Mika

Phoenix

Razorlight

Babylon Circus

TENDA PLANETA SUDOESTE

The National

Of Montreal

Trail Of Dead

Tara Perdida

2008

Rui Vargas

Stereo Addiction

POSITIVE VIBES

Pow Pow Movement

Tiken Jah Fakoly

Yellowman

Alioune K

Festival de Paredes de Coura (os nomes até hoje confirmados)

Dia 12

Devotchka

Dia 13

Mando Diao

Sparta

Blasted Mechanism

Dia 14

Dinosaur Jr.

New York Dolls

Mão Morta

Architecture In Helsinki

Gogol Bordello

Spoon

Dia 15

Sonic Youth

Cansei de Ser Sexy

Sunshine Underground

Electrelane

Nas fotos, de cima para baixo: TV on the Radio, Camera Obscura e Electrelane.

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Tuesday, June 12, 2007

OEIRAS ALIVE!: POST-SCRIPTUM

É bom saber que um novo festival de música como o Oeiras Alive!, com os mínimos de interesse adquiridos, se vai estabelecer na agenda cultural de Verão. A confirmação de segunda edição é um sintoma de saúde.

No único dia em que lá estive, constatei vários aspectos positivos. O movimento humano interessante matou à partida a iminência de um festival-fantasma (uma epidemia portuguesa que, infelizmente, tem afectado muitos baptismos festivaleiros). A escolha das bandas portuguesas foi feliz, e ajustada à natureza dos dias da programação. O recinto do Passeio Marítimo de Algés, que já conhecíamos de outros campeonatos (o Festival SBSR de 1997, as várias Queimas de Fitas lisboetas), está bem arrumado e tem uma localização interessante e de fácil acesso. Mas o maior trunfo do Oeiras Alive! foi o facto do festival ter trazido pela primeira vez a Portugal dois projectos de créditos musicais indubitáveis que pertencem já à constelação de estrelas: os Whites Stripes (na foto) e os Beastie Boys (este último, um borrego que estava difícil de matar).

Como críticas construtivas destaco os preços elevadíssimos dos bilhetes - €45 para um dia, e €90 (!) para um passe é muitíssimo -, os problemas sonoros nos dois palcos, e a excessiva concentração da atracção do festival em três ou quatro nomes mediáticos e a contrastante magreza do restante cartaz, sobretudo internacional. 

Mas o saldo é positivo. É o que mais interessa.

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Sunday, June 3, 2007

LOW: DEVAGAR SE FOI LONGE

Para a pequena mas muito sólida base de fãs do grupo em Portugal, sobretudo para aqueles que desde cedo (desde o magnífico debute, I Could Live in Hope, em 1994) se começaram a familiarizar com o seu som arrastado, a noite de ontem, no Santiago Alquimista (Lisboa), foi como uma matança de um resistente borrego - segundo modos lentos e pacíficos como convém.

O repertório já é longo, e por culpa desse mérito, os Low dão a sensação que é fácil darem um concerto melhor - por muito bom que ele seja - e que é fácil convencerem o seu público - tantas as boas canções por onde escolher. As margens de eficiência são enormes e talvez por isso, a actuação tenha parecido desafogada, tendo bastado uma guitarra eléctrica, um baixo e uma cinéfila bateria, além das canções (sempre boas) e de um pouco de profissionalismo.

A banda sonora de Twin Peaks (que Angelo Badalamenti compôs para a série televisiva de David Lynch) começou por ser uma influência, mas oito álbuns e uns quantos EPs marcantes tornaram-nos os proprietários legítimos daquele som. Os Low são hoje a banda sonora de Twin Peaks. Ela continuou sem guião e sem ser necessário desvendar quem matou Laura Palmer. O sinal de vida da bizarra «telenovela» prolongou-se com várias e diversas flutuações - ora ainda mais lúgubres, ora mais positivas, ora mais noise & roll - na própria música dos Low. E por terem sabido manter esse espírito, sabendo actualizá-lo e renová-lo, o trio tem hoje garantido um fértil circuito ao vivo de pequenos clubes e de cafés, e um público rendido antes de ser necessário tocar o primeiro acorde - como sucedeu ontem.

   A lynchiana cortina avermelhada da sala foi uma coincidência cenográfica proporcional para um concerto condenado à partida ao sucesso, em que era fácil as coisas correrem bem. Mesmo sem os préstimos do baixista de longa data Zak Sally, com Matt Livingston no seu lugar, os catorze anos de disciplina produtiva exemplar que o grupo já leva, aliados ao talento (mesmo que sem pontos altos de génio), tem que produzir resultados que só podem ser bons: as brilhantes harmonias vocais entre o guitarrista e líder Alan Sparhawk e a baterista de pé Mimi Parker, a maleabilidade instrumental que os permite improvisar e corrigir os alinhamentos a meio do concerto, e um sentimento confortável com o seu estatuto de banda fúnebre. Tudo isto conduzi-os a novos louvores e a um segundo encore não previsto.

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