Terça-feira, 07 de Agosto de 2007

RECORDAR UM ENTREVISTADO #12: ICE-T

                                                                                                            Ice-T vinha a Portugal por ocasião do festival itinerante de cultura suburbana Vans Warped Tour (que incluía desportos radicais), que passaria pela Praça Sony, em Lisboa. Uma entrevista face-a-face surge na calha. E seria eu a enfrentar a «fera».

11:30 am é a hora marcada da entrevista. 11.30 pm é a hora em que a entrevista realmente se concretiza. Adiamentos sucessivos por causa de caprichos de estrela, avisos cada vez mais pessimistas quanto ao seu mau humor, idas e voltas à redacção a que então pertencia (a finada revista Voice), miradas desinteressadas às artimanhas dos skaters que pululavam pelo recinto e um dia inteiro esbanjado a olhar para o relógio.

Mas o homem aparece (com o seu fato de treino). Fecharam-nos os dois no camarim, eu e ele. O forcado sozinho na arena diante do touro. O jornalista branco ao jugo de um gansta-rapper que se imagina com uma arma de bom calibre nalgum bolso interior - um crime à vista sem testemunhas.

O forcado avança, avança. As perguntas pertinentes fazem-se, e arrisca-se algumas provocações. Mas o touro mantém-se manso. América, racismo (branco e negro), cinema, hip hop, Marilyn Manson (que Ice-T afirmou gostar!), a conversa seguiu fluente. Ice-T estava bem disposto e eu sobrevivi. Guardei a cassete no bolso, contei os meus anos de vida e continuo a contar os que se seguiram.
Escrito por Gonçalo Palma em 11:46:05 | Link permanente | Comments (0) |