OUTRAS EXCITAÇÕES: BRIGHT EYES, BEIRUT E ANDREW BIRD
Bright Eyes, Cassadaga (Saddle Creek, 2007)
Este é mais um caso em que o projecto e a personalidade do seu líder se confundem. Neste caso, a banda é Conor Oberst. Mas, mais do que nunca, Conor Oberst tem agora, ao sexto longo dos Bright Eyes, uma verdadeira banda, com uma dinâmica colectiva aprumada por muitos arranjos de cordas e por adoráveis harmonias vocais femininas.
Com uma actividade pública de músico desde os seus 14 anos, Conor Oberst tem sido apelidado de novo Dylan, mas o existencialismo religioso de Cassadaga aproxima-o muito mais de Leonard Cohen e acima de tudo dos temperamentos bipolares de Nick Cave e de David Eugene Edwards (o mentor dos Woven Hand e ex-líder dos Sixteen Horsepower).
Assumido praticante e venerador da folk americana, Conor Oberst é um exímio arrumador de emoções nessa comunicação contagiosa que é a canção - de que é talentoso engenheiro.
Beirut, Lon Island EP (Ba Da Bing!, 2007)
Incentivada pela aclamação pública da estreia em The Gulag Orkestar, a fanfarra de música cigana dos balcãs com nome de capital libanesa continua a tocar pelas ruas de todo o mundo, com uma figura estranha à frente com voz de Thom Yorke. Conseguem fazer synth-pop com violino e acordeão (no brilhante «Scenic World») - numa declaração de nostalgia muito paralela à dos Magnetic Fields -, e muito mais. É uma animação e pêras. É como se Goran Bregovic se rendesse ao indie.
Andrew Bird, Armchair Apocrypha (Fat Possum, 2007)
Antigo músico de apoio dos Squirrel Nut Zippers e ex-líder dos Bowl of Fire, Andrew Bird não engana, este violinista e guitarrista está predestinado ao sucesso. O seu quarto álbum a solo anuncia que a ascensão é o único movimento possível na sua carreira neste momento, atendendo à facilidade e versatilidade de abordagem às várias formas possíveis de pop nele inscritas, com uma criatividade e um à-vontade dignos de um Beck. Apenas a irregularidade de alguns temas e a sua expressão vocal dengosa podem impedir um impacto maior.

