ÁLBUM DE RECORDAÇÕES #12: BECK, «MELLOW GOLD» (1994)
Mellow Gold é um autêntico certificado de habilitações de grande compositor americano, qualquer que ele fosse.
Beck caiu de lado nenhum (no caso, a K, o selo dos alienígenas de Calvin Johnson, onde deixou obra um ano antes), com nome de dinamarquês e um visual grunger que a sua música desvairada e colorida contrariava.
O produto total parecia baço, mas o tempo foi-lhe dando limpidez (na estranha cabeça de Beck, Mellow Gold já estava límpido ainda antes da sua gravação), e por isso a tentativa de catalogá-lo como mais um descendente de Dylan abortou logo naquela miscelânea revolucionária de rap freak, indie rock a convocar abanões de corpo, folk sincopado e punk de garagem para filmes de terror.
O híbrido Mellow Gold apelava à dança mas não se sabia como dançar aquilo. E aquilo era Beck, sem cordão umbilical à nascença.
O acidente «Loser» ocorrido no espaço visual da MTV e propagado pelo éter radiofónico, em vez de ajudar a descodificar quem era aquele tipo, lançou a pergunta quem era aquele tipo? Ficámos sem resposta. As coisas ficaram baralhadas, a música levou um trambolhão - e logo de um ser com ar tão moço.
Mellow Gold é companhia para atravessar o asfalto da América dos anos 40 ou da América de 2007 - o ano de registo, 1994, é só um pormenor. O horizonte foi esticado. (Geffen)

