OUTRAS EXCITAÇÕES
Lavender Diamond, Imagine Our Love (Rough Trade, 2007)
Os californianos Lavender Diamond trazem a felicidade e o deslumbramento, que depositam sobre um manto etéreo de country-pop de encantos ancestrais. À frente, encontra-se uma vocalista, Becky Starke, que vem ao mundo da música com compromissos acrescidos de empenho, assumindo a teatralidade e trazendo os ensinamentos mais clássicos bem como a sua experiência adquirida dos musicais de Tin Pan Alley.
O álbum de debute tem uma das canções do ano, «Oh No», que tem a destreza da simplicidade e uma envolvência com a chancela de «especial» atarraxada. A sequência pode não ser tão fulminante, mas tem uma graça ingénua de tontice que abre alas à criatividade.
O alegre quarteto toca como se estivesse a brincar num pátio do recreio, mas aquele entretenimento, sobretudo entre o piano e a voz de anjo de Starke, tem uma lealdade muito séria para com a canção. E com resultados entusiasmantes e variados. Bem-vindos!
Icarus Line, Black Line at the Golden Coast (V2, 2007)
Os Icarus Line fazem parte do ramo genealógico mais rude da grande árvore Jesus & Mary Chain. Alguma brutalidade hardcore, o espírito destemido da fase mais endiabrada dos Rolling Stones e a virilidade punk de Iggy Pop são também factores a ter em conta na banda da costa oeste. Isto já para não dizer que são melhores que os Black Rebel Motorcycle Club na sua música sem travão - e por isso vão mais longe pelo terceiro álbum.
Amiina, Kurr (Ever, 2007)
As Amiina são um quarteto islandês que funciona melhor enquanto comandado (como aconteceu no apoio de cordas aos Sigur Rós) do que enquanto comandante. Mas não deixam de ser interessantes.
A sua abordagem musical coincide com a das benditas Au Revoir Simone, com uma perspectiva pop fugidia e não táctil que parece apenas domínio dos sonhos. Embora partilhando também um suporte electrónico, nas Amiina as vozes ouvem-se ainda mais ao longe, o tom de embalo é maior e a música parece propriedade de um lugar mais inacessível (Islândia?). Os apetrechos são mais físicos e tradicionais (violoncelos, violinos, acordeões, xilofones, sinos, um cravo, vários tipos de harpa) e a música é mais celibatária - contrariamente à maior lascívia das Au Revoir Simone -, soando Kurr a um estado anterior à formação do sexo, como um baile inconsciente e incógnito na barriga de uma mulher.

