RECORDAR UM ENTREVISTADO: STEPHIN MERRITT
Stephin Merritt, a figura central dos Magnetic Fields (e de muitos outros projectos), pode ser um entrevistado dificílimo, mas a sua inteligência e o seu espírito torcido são um desafio que motiva qualquer jornalista a secundar obstáculos incómodos para uma conversação como os silêncios do inquirido, o seu pouco à-vontade ou o seu mau feitio. O que poderá dizer a seguir será sempre mais importante que tudo o resto. Compensa sempre.
Conversei com Stephin Merritt em duas situações diferentes (e ambas para a página online da Voxpop): a primeira numa entrevista telefónica centrada no álbum obrigatório dos Magnetic Fields 69 Love Songs; a segunda através de um encontro face-a-face num hotel dos arredores de Lisboa, aquando da passagem dos Magnetic Fields pelo CCB (em 2001), mas com foco de entrevista no álbum Hyacinths and Thistles de um dos seus projectos paralelos, os 6ths. Não posso dizer que tenha havido uma entrevista mais fácil que a outra. Mas adorei ambas.
Para cada entrevista, destaco duas citações.
Entrevista sobre 69 Love Songs, dos Magnetic Fields
«Muitas das minhas canções abordam relações desiguais, porque contêm mais drama, ao contrário dos relacionamentos estáveis e felizes. Há uma expressão inglesa que diz que as famílias felizes são todas iguais, mas que qualquer família infeliz é sempre diferente. Há portanto mais maneiras de me poder referir a amores infelizes do que a amores felizes».
«Os ingleses apreciam mais as piadas picantes do que os norte-americanos, a ideia de se fazer 69 canções é-lhes mais familiar».
Entrevista sobre Hyacinths and Thistles, dos 6ths.
«A minha vida privada não aparece muito nas letras das minhas canções. Mesmo se aparecesse, a minha vida privada já estaria mudada quando o disco fosse editado».
«Vou agora para um estúdio de televisão tocar num programa [HermanSic], ainda não saí deste hotel e amanhã vou partir às seis da manhã. Não estive sequer na Baixa lisboeta. Só conheço o caminho do aeroporto para o hotel. Percebe-se por que não gosto de tocar ao vivo. Preferiria estar aqui a gravar um disco, sempre daria para ficar a conhecer Lisboa e para estar sentado numa casa de fados a escrever canções».
