ORFANATO #11: SMASHING PUMPKINS, «BLEW AWAY» (1994)
Anos antes do desnorte, do ridículo e do bloqueio, os Smashing Pumpkins eram uma banda criativamente interessante. O aperfeiçoamento do potente motor de combustão do grupo colheu rápidos resultados, e de repente, quando os vemos na Praça de Touros de Cascais (1996), a prova de que eram uma banda de rock de topo era irrefutável.
Antes do ego de Billy Corgan secar tudo o resto à volta, houve umas pequenas escapadelas ao seu protagonismo que deram uma melhor noção da verdadeira capacidade da banda enquanto colectivo. «Blew Away» é uma dessas escapadelas, direitinha a lado-b do single «Disarm» e meses depois seleccionada para a deliciosa compilação de restos Pisces Iscariot (1994), que tem um romântico e cândido James Iha ao comando.
Foi um ar crepuscular que lhe deu, com charme de aura especial e sapiência na arte da reutilização da electricidade para fins mais pacíficos. Foi pena que os Smashing Pumpkins não aproveitassem este dom complementar. A ditadura unipessoal levou-os à fadiga, e James Iha, sem a sua banda de sempre, perdeu o seu sol. Mas a canção está lá. «Blew Away», chama-se.
Versão ao vivo num concerto no Budokan, em 2000. Ou uma impressão amorfa da canção, mutilada do seu potencial original. Fica uma distante ideia.