Thursday, April 12, 2007

LETRAS QUE MERECEM SER LIDAS: «SUZANNE», LEONARD COHEN (1968)

A letra da mais famosa canção de sempre de Leonard Cohen, «Suzanne», foi primeiro publicada como um poema, denominado «Suzanne Takes You Down», no seu livro Parasites of Heaven (de 1966). A canção de Cohen é primeiro revelada pela cantora folk Judy Collins, no álbum In My Life (1966). Dois anos depois, «Suzanne» é cantada pelo seu autor, no seu longo discográfico de estreia, The Songs of Leonard Cohen

O escrito é inspirado pelos vários encontros íntimos entre o poeta canadiano e a dançarina e coreógrafa Suzanne Verdal - mulher do amigo e escultor Armand Vaillancourt - ocorridos na roulotte da última e num apartamento de hotel, em Montreal, nos anos 60. Assente na relação não-carnal repleta de desejo, a letra da canção é desenvolvida pelo hábito de Cohen em ilustrar as suas próprias experiências com referências bíblicas.

Letra, composição e interpretação: Leonard Cohen   

Suzanne takes you down to her place newer the river

You can hear the boats go by

You can spend the night beside her

And you know that shes half crazy

But that’s why you want to be there

And she feeds you tea and oranges

That come all the way from china

And just when you mean to tell her

That you have no love to give her

Then she gets you on her wavelength

And she lets the river answer

That you’ve always been her lover

And you want to travel with her

And you want to travel blind

And you know that she will trust you

For you’ve touched her perfect body with your mind.

And jesus was a sailor

When he walked upon the water

And he spent a long time watching

From his lonely wooden tower

And when he knew for certain

Only drowning men could see him

He said all men will be sailors then

Until the sea shall free them

But he himself was broken

Long before the sky would open

Forsaken, almost human

He sank beneath your wisdom like a stone

And you want to travel with him

And you want to travel blind

And you think maybe you’ll trust him

For he’s touched your perfect body with his mind.

Now Suzanne takes you hand

And she leads you to the river

She is wearing rags and feathers

From salvation army counters

And the sun pours down like honey

On our lady of the harbour

And she shows you where to look

Among the garbage and the flowers

There are heroes in the seaweed

There are children in the morning

They are leaning out for love

And they will lean that way forever

While suzanne holds the mirror

And you want to travel with her

And you want to travel blind

And you know that she will trust you

For she’s touched your perfect body with her mind.

Depois do êxito da canção, os dois, Leonard e Suzanne, encontrar-se-iam mais duas vezes.

Nos anos 70, Suzanne Verdal vai ver um concerto de Cohen na cidade onde vivia então, Minneapolis, e ganha coragem para ir depois aos bastidores onde vê Leonard Cohen rodeado de fãs e jornalistas. Suzanne aproxima-se dele: «Olá! Grande concerto!». «Deste-me uma grande canção, miúda». A confusão de gente à volta interrompeu o curto diálogo.

Bastantes anos mais tarde, Suzanne vê com os seus próprios olhos o cantor. Ele viu uma mulher mais velha, mas não a reconheceu.

Suzanne Verdal continua fiel à sua vida nómada de hippie e vive hoje numa carrinha - foi encontrada há um ano por jornalistas da CBS numa comunidade de Venice Beach (Califórnia) - bastante aquém do conforto financeiro do cantor. A musa manteve-se igual a si mesma, o poeta prosseguiu a sua caminhada.

Abaixo, uma curta interpretação da canção por Leonard Cohen, no histórico Festival da Ilha de Wight, de 1970.

 

alt : http://www.youtube.com/v/L7WQtIDrgBA

Posted by Gonçalo Palma in 12:01:44
Comments

2 Responses

  1. joão pinto says:

    Foi, sem qualquer saudosismo, mas com alguma emoção, que acabei de ler este post sobre Leonard Cohen. Por intermédio de um amigo, conheci o Poeta antes de conhecer o Cantor, li Parasites of Heaven antes de ter escutado Suzanne. E depois, recordo como durante anos se aguardava o novo album de Cohen como se aguardava o novo filme de Bergman, Fellini, Antonioni, Godard e outros ou, o novo livro de Sartre, Moravia, Ginsberg e outros. Foi sublime na forma como, tão simplisticamente, quase atingiu o Belo Absoluto. Vi-o 3 vezes, a primeira das quais entre a assistência deste clip do u tbe que acompanha o post e a última no Coliseu, já lá vão uns anitos. Os concertos são indefiníveis, quase inclassificáveis. Ia-se a um concerto de Cohen como quem vai à Tate, ao Pompidou ou ao Guggenheim. Escuta-se com a mesma emoção com que se observa um Van Gogh ou um Picasso. A qualidade não depende da energia, da electricidade, do improviso. A qualidade do concerto é, simplesmente, a qualidade da Obra.
    E, por aqui me fico, fazendo votos para que este excelente blog se mantenha pelo tempo que continuares a sentir prazer em fazê-lo.

  2. Gonçalo Palma says:

    Obrigado pelos votos, João. Prazer não falta, de certeza.
    Quanto à tua presença no Festival da Ilha de Wight, a momentânea ilha da Utopia, a minha inveja é enorme por muitos, muitos motivos…
    Um abraço!

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